Lentidão, falta de objetividade e ataque isolado foram os principais problemas do São Paulo contra o Racing

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica os erros e acertos de Hernan Crespo no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores nesta terça-feira (13)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Paulo Pinto / saopaulofc.net

Este que escreve não pretende repetir integralmente o discurso de boa parte da imprensa esportiva sobre a atuação abaixo da média do São Paulo no empate em 1 a 1 contra o Racing nesta terça-feira (13). Estava mais do que claro que Hernán Crespo tinha um plano para o confronto válido pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América. Se esse plano foi equivocado ou mal executado pelos jogadores em campo, é o que vamos ver nessa humilde análise tática. O que não se pode fazer de forma alguma é esconder os méritos da equipe comandada por Juan Antonio Pizzi na marcação e na condução da bola ao ataque. O São Paulo, por sua vez, pecou demais pela lentidão no meio-campo, por uma certa falta de objetividade na troca de passes e, consequentemente, por ter isolado o setor ofensivo do restante da equipe. Hernán Crespo tem sua parcela de culpa. Mas precisamos ver o contexto todo.

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É fato que o torcedor já percebeu que volume de jogo e intensidade colocado nas partidas do Campeonato Paulista já cobram seu preço há algum tempo. Além dos desfalques por lesões e convocações para as seleções nacionais e olímpicas, o técnico Hernán Crespo vive um dilema: apostar no que há de melhor à sua disposição e correr o risco de perder jogadores importantes ou ir utilizando os jogadores aos poucos? O argentino escolheu a segunda opção e apostou na escalação de Luan, Liziero e Rodrigo Nestor à frente do seu trio de zagueiros. Mais à frente, Éder dividia o comando de ataque com Igor Gomes, mas isso somente até a metade do segundo tempo, quando o camisa 23 sentiu uma lesão muscular e deu lugar a Vítor Bueno. Outro estilo e outra pegada completamente diferente no ataque de um São Paulo que encontrava dificuldades para furar o bloqueio defensivo do Racing no Morumbi.

Sao Paulo vs Racing - Football tactics and formations

Hernán Crespo apostou na entrada de Luan, Liziero e Rodrigo Nestor à frente do seu trio de zagueiros e manteve Gabriel Sara e Benítez no banco de reservas. Do outro lado, o Racing de Juan Antonio Pizzi fechava bem os espaços na sua defesa e explorava bem a falta de objetividade do Tricolor Paulista.

Aos 34 minutos do primeiro tempo, Welington (um dos melhores em campo pelo lado do São Paulo) cruzou para a área, o goleiro Gabriel Arias falhou e Vítor Bueno abriu o placar tocando para o gol vazio. O goleiro do Racing, no entanto, se redimiu com defesa de cinema em chute do camisa 12 em belo contra-ataque nascido de bola roubada no meio-campo. Apesar da vantagem no marcador, o time de Hernán Crespo era lento nas transições e dependia muito do poder de criação da sua trinca de volantes e da movimentação de Igor Gomes. Aos poucos, o Racing foi se reorganizando em campo e criando problemas para Tiago Volpi a partir do 3-1-4-2 de Juan Antonio Pizzi. No último lance do primeiro tempo, Copetti marcou o gol de empate no Racing. Esse lance mostra como o time do São Paulo, embora organizado defensivamente, isolava a dupla de ataque e tinha dificuldades para fazer a bola chegar no ataque.

Copetti recebe na esquerda, se livra de Diego Costa e chuta rasteiro no canto direito de Tiago Volpi. O Racing explorou bem os problemas do São Paulo com muita movimentação e a falta de criatividade da trinca de volantes escolhida por Hernán Crespo. Foto: Reprodução / YouTube / Conmebol Libertadores

Na prática, o São Paulo só conseguiu mostrar um pouco de criatividade a partir das entradas de Benítez e Gabriel Sara após os 15 minutos da segunda etapa. Mesmo assim, os dois tiveram pouco tempo para mostrar serviço. Isso porque o Racing fechava bem os espaços, valorizava bem a posse da bola e levava perigo à meta tricolor em chutes de média distância. Enquanto a equipe de Juan Antonio Pizzi controlava bem o jogo e quase chegava ao gol da virada com Eugenio Mena (que desperdiçou chance impressionante após cruzamento de Fabricio Domínguez às costas de Igor Vinícius, Diego Costa e Arboleda). Benítez e Gabriel Sara ainda tentaram o gol da vitória em chutes de longe, mas nem a entrada dos jovens Talles Costa e Marquinhos deram jeito no São Paulo na noite desta terça-feira (13). E diante de tudo isso, Hernán Crespo sabe que sua equipe poderia ter jogado muito melhor do que jogou contra o Racing.

Racing vs Sao Paulo - Football tactics and formations

Benítez e Gabriel Sara foram para o jogo e melhoraram o desempenho ofensivo do São Paulo, mas sem conseguir agredir o Racing com certa frequência. A equipe de Juan Antonio Pizzi se fechou na defesa, valorizou a posse da bola e esteve muito mais próxima de virar o jogo do que levar o segundo gol.

Conforme dito no começo dessa humilde análise, este que escreve não quer repetir o discurso fácil de boa parte da imprensa esportiva. Hernán Crespo tinha seus motivos para apostar numa trinca de volantes (que marcam forte, que pisam na área e que possuem muita qualidade na saída de bola) à frente de Diego Costa, Arboleda e Léo. No entanto, a formação que visava reforçar o meio-campo e apostava nos contra-ataques mais isolou o setor ofensivo do São Paulo do que criou condições para que Igor Gomes e Vítor Bueno levassem perigo ao gol de Gabriel Arias. Fora isso, a formação exigia demais dos alas Igor Vinícius e Welington na criação e na recomposição. Crespo mexeu no time no segundo tempo, mas o panorama pouco mudou diante de um Racing mais insinuante nas transições, mas que também acabou se dando por satisfeito com o empate conquistado fora de casa e a vantagem obtida nas oitavas de final da Libertadores.

As condições físicas dos jogadores do São Paulo e os desfalques pelos mais variados motivos ajudam a explicar a opção de Hernán Crespo pela formação que iniciou a partida. Por outro lado, a equipe (mesmo com três volantes) jogou muito abaixo do que poderia e o Racing soube muito bem como anular os pontos fortes do seu adversário no Morumbi. Certo é que o Tricolor Paulista terá que se superar e vencer seus dilemas internos se quiser continuar se garantir nas quartas de final da Copa Libertadores da América.

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