Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Red Bull Bragantino e Atlético-MG não engrenam no jogo de ida da decisão da Série A2 do Brasileirão Feminino

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas de Camila Orlando e Hoffman Túlio e a atuação das duas equipes nesta segunda-feira (30)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rebeca Reis / Staff Images Woman / CBF

É mais do que natural (e compreensível) que dois times acabem se estudando mais do que o comum no primeiro jogo de uma decisão de campeonato. Muito mais estudo, algumas doses de hesitação em determinados momentos e poucas chances reais. Foi mais ou menos dessa maneira que o empate sem gols entre Red Bull Bragantino e Atlético-MG se desenrolou nesta segunda-feira (30), no Estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista. É verdade que as Vingadoras tiveram mais oportunidades de balançar as redes. A camisa 10 Aninha acertou a trave da goleira Karol Alves duas vezes e a zagueira Flávia Gil ainda desperdiçou uma penalidade no primeiro tempo. Do lado do Massa Bruta, Taiane teve um gol bem anulado já no segundo tempo após bela jogada de Ariel. Mas nada além disso. E a grande verdade é que Red Bull Bragantino e Atlético-MG podem jogar muito mais do que jogaram. Mas o nervosismo é bastante compreensível.

Vale destacar as propostas de jogo dos dois treinadores. Camila Orlando apostou num esquema “híbrido” no Massa Bruta. No papel, um 4-2-3-1. Na prática, muitas trocas de posição, saída de três e variações para um 3-2-4-1 de muita intensidade na pressão na portadora da bola. É possível até enxergar uma certa influência de Marcelo Bielsa e Jürgen Klopp no estilo da comandante do Bragantino. Destaque para a movimentação de Ariel no ataque, para a polivalência de Rhay Coutinho na esquerda e para a fibra de Ingryd na zaga. Do outro lado, Hoffman Túlio apostava num 4-2-3-1/4-1-3-2 também com ótimas variações, muita intensidade no terço final e muita movimentação de Iara e Soraya por trás da última linha adversária. Mais atrás, a camisa 5 Marta recuava entre as zagueiras Flávia Gil e Cotrim para organizar a saída de bola e qualificar o passe ainda no campo de defesa. Ótimas ideias que foram colocadas em prática nessa segunda-feira (30).

As melhores notícias de esportes, direto para você

 

Atletico-MG vs Red Bull Bragantino - Football tactics and formations

O Red Bull Bragantino conseguia variar do 4-2-3-1 para um 3-2-4-1 de muita intensidade na marcação e o Atlético-MG jogava com muita força pelos lados do campo e buscava um jogo mais vertical. Camila Orlando e Hoffman Túlio colocaram boas ideias em prática no jogo desta segunda-feira (30).

Mas que não encontraram o encaixe mais adequado. Principalmente pelos lados do Red Bull Bragantino. O Atlético-MG fechava bem as entradas da sua área e utilizava a qualidade do passe de Marta e Dayana para fazer a bola chegar na frente. Interessante que a equipe de Camila Orlando encontrou alguma dificuldade para conter esse jogo mais vertical e toda a movimentação das Vingadoras no campo ofensivo. Iara e Soraya trocavam de lado a todo momento, Aninha se alinhava com Dayana em determinados momentos e Guedes arrastava a marcação do trio de zagueiras (se é que podemos chamar assim) do Massa Bruta. E é preciso deixar bem claro que intensidade na marcação não significa organização e sincronia nos movimentos. Por mais que as ideias de Camila Orlando sejam sim muito boas, não foram poucas as vezes em que o Bragantino concedeu espaços na sua última linha com o avanço constante de uma das zagueiras para o meio.

A movimentação do quarteto ofensivo do Atlético-MG foi um tormento constante para a defesa do Bragantino. Iara e Soraya trocavam deposição a todo momento, Guedes arrastava a marcação e Aninha se juntava a Dayana na criação das jogadas de ataque. Foto: Reprodução / SPORTV

Aninha acertou a trave de Karol Alves e Iara só não abriu o placar no primeiro tempo porque Ingryd fez o corte no último momento. Fora isso, ainda tivemos a penalidade desperdiçada por Flávia Gil. Embora o jogo tenha ficado um pouco mais equilibrado após o intervalo, a sensação que ficava era a de que o Atlético-MG controlava mais as ações do jogo e levava um pouco mais de perigo do que o Red Bull Bragantino. Mesmo com o Massa Bruta tendo um gol bem anulado no início da segunda etapa. Aninha voltou a acertar a trave em bela jogada iniciada no lado direito e que contou com a mesma movimentação descrita anteriormente. As Vingadoras tinham mais volume de jogo, mas pecavam demais nas finalizações a gol e mostrava uma certa afobação para definir os lances quando a bola chegava mais próximo da área adversária. Do outro lado, o Bragantino mais poupava fôlego do que tentava manter a posse da bola no meio-campo.

Iara e Soraya arrastam o trio de zagueiras do Bragantino e abrem o espaço que Aninha vai atacar antes de acertar a trave pela segunda vez na partida. O Atlético-MG mostrou mais volume de jogo embora tenha errado muito na finalização dos lances de ataque. Foto: Reprodução / SPORTV

Conforme dito anteriormente, é mais do que natural que duas equipes se poupem e se estudem mais num jogo de ida de decisão de um torneio importante como é a Série A2 do Brasileirão Feminino. Mesmo assim, este que escreve deixa claro que Red Bull Bragantino e Atlético-MG podem e devem jogar muito mais do que jogaram nessa segunda-feira (30). Difícil não concluir que Camila Orlando e Hoffman Túlio tem ótimas ideias e pensam muito bem seus times, mas que a execução daquilo tudo que foi planejado ficou bastante aquém do esperado. Mesmo com vaga na elite do futebol feminino brasileiro já garantida anteriormente. Fora isso, os dois finalistas possuem boas jogadoras e mostraram bastante repertório tático ao longo da competição. É por isso que, por tudo que eu e você vimos no Estádio Nabi Abi Chedid, a partida poderia ter ganhado um pouco mais de emoção diante de tudo o que estava em jogo.

Mas isso não é motivo para pânico ou críticas mais fortes. O nervosismo e o jogo mais truncado em situações como essas são perfeitamente compreensíveis. Mesmo assim, este colunista espera mais emoções no “segundo round” da decisão da Série A2 do Brasileirão Feminino na próxima semana. Exatamente por saber do que Red Bull Bragantino e Atlético-MG são capazes de fazer com e sem a bola, por toda a campanha das duas equipes na competição e pelas ótimas ideias dos seus treinadores.

CONFIRA OUTRAS ANÁLISES DA COLUNA PAPO TÁTICO:

Espaço entrelinhas foi o grande pecado da Ferroviária diante de um Corinthians frio e calculista

Boa atuação coletiva do Vasco contra a Ponte Preta reacende a esperança por dias melhores

Vinícius Júnior muda estilo e cresce de produção num Real Madrid mais equilibrado e muito mais objetivo

Consistência defensiva, compactação e intensidade foram os grandes trunfos do Botafogo contra o Coritiba