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Palmeiras corrige erros do jogo de ida, domina o Grêmio e se classifica para as semifinais do Brasileirão Feminino

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas dos técnicos Ricardo Belli e Patrícia Gusmão no bom jogo deste domingo (22) no Allianz Parque

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Livia Villas Boas / Staff Images Woman / CBF

A atuação do Palmeiras no jogo deste domingo (22) diante de um Grêmio mais acuado e que sentiu demais os desfalques de Rafa Levis e Laís Estevam foi completamente diferente do jogo da semana passada. Naquela ocasião, o escrete comandado por Patrícia Gusmão soube como fechar muito bem as saídas das Palestrinas e conquistou uma vitória importantíssima e uma boa vantagem para a partida em São Paulo. Só que Ricardo Belli também percebeu seus erros na escalação e no planejamento, corrigiu os problemas e viu sua equipe dominar amplamente o Tricolor Gaúcho (ainda que com alguns momentos de hesitação e lentidão nas transições). Os 4 a 1 mostram bem o domínio do Palmeiras de Bruna Calderan, Katrine, Maria Alves, Júlia Bianchi, Carol Baiana e companhia e devolvem um pouco da confiança da primeira fase para a sequência do Brasileirão Feminino e deixam lições importantíssimas para os dois jogos contra o Internacional.

É possível dizer que o Palmeiras começou a garantir a classificação no momento em que Ricardo Belli divulgou a escalação inicial da equipe. Com Thaís na zaga, Katrine na lateral-esquerda e Rafa Andrade liberando Júlia Bianchi para se aproximar do quarteto ofensivo, as Palestrinas foram dominando as Gurias Gremistas, forçando bastante o erro na saída de bola e aplicando a pressão pós-perda que eu e você nos acostumamos a ver na primeira fase do Brasileirão Feminino. Assim como no jogo de ida, a equipe alviverde ainda tentava se adaptar às saídas de Bia Zaneratto e Rafaelle e manter o mesmo volume de jogo apresentado com as duas em campo. O gol marcado por Ary Borges após cruzamento de Maria Alves da direita (logo aos 20 minutos) ainda contava com as chegadas de Carol Baiana atraindo a defesa gremista por dentro e abrindo o espaço para a camisa 8 se infiltrar e abrir o marcador.

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O Palmeiras ataca em bloco e empurra o Grêmio para trás com Maria Alves partindo pela direita, Carol Baiana e Camilinha aparecendo por dentro e Ary Borges vindo por trás da linha defensiva. O primeiro gol palestrino ainda contou com a colaboração da goleira Lorena. Foto: Reprodução / BAND

Só que o Grêmio de Patrícia Gusmão não se intimidou com o volume de jogo do Palmeiras e também arriscou as suas subidas ao ataque (sempre explorando os espaços na frente da última linha das Palestrinas) com bolas mais longas buscando Nathane, Eudimilla e Jane Tavares. A intensidade do jogo da equipe de Patrícia Gusmão era alta e exigia demais de um grupo normalmente diminuto e que sofria com as ausências de suas principais jogadores, mas as Gurias Gremistas mostraram sua força o gol da sua camisa 16 em lance de pura interpretação da arbitragem numa marcaão de impedimento pedida por toda a defesa palmeirense. Seja como for, que fique registrado que o Gremio executava bem os movimentos do seu 4-2-3-1 e terminou a primeira etapa mais organizado e com a vantagem mental no confronto por conta da boa atuação coletiva diante de um adversário mais forte individualmente. O conjunto fazia muita diferença.

O Grêmio chegou ao gol de empate executando bem os movimentos do 4-2-3-1 de Patrícia Gusmão e aproveitando os espaços concedidos pela defesa do Palmeiras. Por mais que o lance seja duvidoso, Eudimilla tinha bastante campo à sua frente no lance do gol de empate. Foto: Reprodução / BAND

O grande mérito de Ricardo Belli foi acertar o posicionamento da sua equipe após o intervalo e confiar na forte jogada de bola aérea para desafogar e descomplicar a partida no Allianz Parque. E vale destacar aqui que o gol de Agustina (marcado logo aos dois minutos da segunda etapa) foi um verdadeiro balde d’água fria para o Grêmio de Patrícia Gusmão. A equipe gaúcha se desmanchou, perdeu a concentração e viu Bruna Calderan fazer grande jogada pela direita, passar por duas jogadoras gremistas e colocar a bola na cabeça de Carol Baiana no lance do terceiro gol palestrino. E o mais interessante é que as Gurias Gremistas ainda mantinham a sua formação inicial e davam a impressão de que cortariam facilmente a virada de jogo de Maria Alves buscando a lateral palmeirense. O time de Ricardo Belli ganhava confiança e praticamente acabava com qualquer ímpeto do Grêmio no jogo.

Bruna Calderan fez grande jogada e se livrou de duas atletas adversárias antes de colocar a bola na cabeça de Carol Baiana no lance do terceiro gol do Palmeiras. A equipe de Ricardo Belli voltou com outra postura do intervalo e colheu os frutos no início da segunda etapa. Foto: Reprodução / BAND

Vale destacar que Ricardo Belli acertou em cheio com a entrada de Chú no lugar de Rafa Andrade logo depois do intervalo. A camisa 11 deu mais profundidade ao escrete palestrino e ainda ajudou a abrir espaços para a movimentação ofensiva da sua equipe (exatamente como descrito no frame e no parágrafo acima) nos contra-ataques em alta velocidade. Mas foi na bola parada que o Palmeiras fechou o placar com Maria Alves aproveitando belíssimo cruzamento de Katrine (outra que vem jogando demais nessa temporada). O escrete comandado por Patrícia Gusmão ainda tentou reagir, mas sem muito sucesso. Faltavam o ímpeto ofensivo e a intensidade do jogo de ida e a força mental para controlar os nervos em lances decisivos. As duas chances cristalinas desperdiçadas por Pri Back vão ficar bem vivas na mente do torcedor gremista. A história da partida poderia ter sido bem diferente se a camisa 7 tivesse um pouco mais de calma.

A goleada sobre o Grêmio também não deixa de ser um alívio para o Palmeiras. As últimas atuações no Paulistão e no Brasileirão Feminino após a parada para os Jogos Olímpicos deixaram a impressão de que o time de Ricardo Belli perderia consistência com as saídas de Bia Zaneratto e Rafaelle (ambas de volta ao futebol chinês). Mas também é preciso dizer que as Palestrinas recuperaram o bom futebol da primeira fase da competição (pelo menos em alguns momentos) quando Ricardo Belli fez o simples. Manteve Katrine na lateral, liberou Júlia Bianchi e apostou em Carol Baiana jogando como referência no ataque. Parece pouco, mas essas escolhas táticas ajudaram a descomplicar muita coisa no jogo deste domingo (22). Por mais que o Palmeiras ainda tenha alguns problemas nas transições defensivas, o volume apresentado contra as Gurias Gremistas deixou claro que a equipe ainda é muito difícil de ser batida.

Mas é preciso redobrar a atenção nas semifinais. Ainda mais sabendo que as Palestrinas terão pela frente o jogo mais “gaúcho” e mais físico do Internacional de Maurício Salgado. Será um desafio e tanto para o escrete de Ricardo Belli num momento em que ele ainda busca a melhor formação para sua equipe se adaptar às saídas de duas das suas principais jogadoras na primeira fase do Brasileirão Feminino. O Palmeiras ainda é muito forte. Mas precisa entender que as coisas mudaram de dois meses até aqui.

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