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Título do Brasileirão Feminino é mais uma belíssima página escrita pelo Corinthians na história da modalidade

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca o trabalho de Arthur Elias e analisa a atuação do Palmeiras de Ricardo Belli na finalíssima desse domingo (26)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Livia Villas Boas / Staff Images Woman / CBF

Não é exagero nenhum afirmar que vimos a história ser escrita mais uma vez diante dos nossos olhos, meus consagrados. A vitória do Corinthians sobre o Palmeiras neste domingo (26), na Neo Química Arena, é mais uma belíssima página dessa epopeia iniciada há cinco anos, quando Arthur Elias assumiu o comando da equipe nos tempos da parceria com o Audax. O investimento foi feito e o Timão tem hoje (sem qualquer sombra de dúvida) um dos melhores times do país em todos os tempos quando o assunto é hegemonia dentro de campo e títulos. Quem via o segundo jogo da finalíssima do Brasileirão Feminino pode até ter pensado que as coisas seriam diferentes num primeiro momento, mas logo se deparou com o volume de jogo insano e com as mais variadas alternativas da equipe de Adriana, Vic Albuquerque, Tamires, Gabi Zanotti (a craque do campeonato na opinião deste colunista), Kemelli, Yasmim e companhia. Sem dúvida, ainda vamos falar muito sobre esse Corinthians e sobre Arthur Elias.

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Mas é preciso dizer que, apesar da campanha histórica na competição (18 vitórias, dois empates e apenas uma derrota), o escrete comandado por Arthur Elias encontrou dificuldades nesse começo de partida. O Palmeiras de Ricardo Belli espelhou o 4-2-4/4-4-2 utilizado pelas adversárias desse domingo (26) com Maria Alves jogando quase como uma “camisa 10” atrás de Carol Baiana, Camilinha e Ary Borges pelos lados e Júlia Bianchi avançando constantemente. A ideia aqui era induzir o Corinthians a jogar pelo seu lado direito, onde Gabi Portilho jogava mais presa vigiando Katrine e por onde as Palestrinas poderiam levar vantagem nos duelos físicos. Só que o Timão tinha Adriana. A camisa 16 aproveitou falha de Tainara no lançamento de Katiuscia, venceu a dividida com Agustina e viu a zagueira do Palmeiras jogar contra as próprias redes na tentativa de evitar o gol. Foi o suficiente para que o time de Ricardo Belli se desmanchasse e para que o de Arthur Elias desfilasse seu talento.

O Corinthians não foi superior ao Palmeiras apenas pela (imensa) qualidade individual das suas jogadoras. Estamos falando de uma equipe MUITO BEM TREINADA, que sabe como se adaptar a diferentes contextos e que é dotada de uma concentração absurda. A maneira como Tamires, Adriana, Gabi Portilho e Vic Albuquerque se distribuíram em campo e exploraram as costas da última linha palestrina foi o grande diferencial da partida desse domingo (26). Fora isso, Ingryd foi uma gigante na frente da zaga e Gabi Zanotti esteve impecável na distribuição do jogo no meio-campo. Tudo bem que o Palmeiras também concedeu demais e não conseguiu ser agressivo nos momentos em que levou a bola para o campo ofensivo. Mas bastou apenas uma falha na marcação para que tudo aquilo que havia sido planejado caísse por terra. E daí vieram o gol de Adriana e a pintura de Vic Albuquerque num primeiro tempo de muito controle de espaços, alto nível de intensidade e muito volume de jogo por parte do Corinthians.

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O Palmeiras forçava o erro na saída de bola e induzia o Corinthians a jogar mais pelo lado direito, mas sem a agressividade suficiente para chegar no ataque. Bastou que Katiuscia tivesse um pouco de liberdade para lançar Adriana às costas da defesa para desmontar completamente a estratégia de Ricardo Belli. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Certo é que o estrago já estava completo aos 32 minutos do primeiro tempo. Carol Baiana se movimentava demais na frente de Erika e Giovanna Campiolo, mas a bola não chegava com qualidade. Ary Borges e Maria Alves ainda ensaiaram uma troca de posicionamento no meio-campo igualmente sem sucesso. Ricardo Belli ainda tentou uma última cartada com a entrada de Duda Santos no lugar da zagueira Tainara e de Rafa Andrade no lugar de Bruna Calderan (uma das que mais sofreu com o lado esquerdo do Corinthians). As substituições que deveriam dar mais consistência e força física no meio-campo do Palmeiras acabaram desarrumando ainda mais o time e abrindo espaços generosos entre as linhas. E é preciso dizer que o escrete comandado por Arthur Elias só não aplicou uma goleada histórica porque o ritmo diminuiu com a vantagem de quatro gols no placar agregado e com as substituições promovidas pelo treinador. Mesmo assim, a última linha palestrina era um verdadeiro convite aos contra-ataques.

As substituições promovidas por Ricardo Belli mais abriram espaços entre as linhas do Palmeiras do que deram consistência e agressividade ao time. O Corinthians, mesmo diminuindo o ritmo no segundo tempo, teve boas chances de aumentar ainda mais a vantagem no placar agregado. Adriana deitava e rolava. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Enquanto Arthur Elias ia descansando suas jogadoras sem desmontar a formação básica da sua equipe, Ricardo Belli invertia jogadoras de posição, improvisava outras em outras funções e tentava um último suspiro antes do apito final. Só que as coisas ficaram meio difíceis de serem compreendidas no Palmeiras. Maria Alves e Thaís foram deslocadas para as laterais, Júlia Bianchi foi para a zaga e Ottilia entrou no comando de ataque para brigar com as zagueiras do Corinthians. De efetivo, apenas o belo gol de Camilinha aos 28 minutos da segunda etapa numa das poucas jogadas de alguma efetividade das Palestrinas durante toda a partida. Muito pouco. O Corinthians, por sua vez, manteve sua postura (apesar do ritmo mais lento) e viu Grazi, Diany, Miriã e Jheniffer ganharem minutos. Ao mesmo tempo, Arthur Elias mostrava mais uma vez que conhece o elenco corintiano como poucos e que uma capacidade incrível de se adaptar a contextos desfavoráveis com e sem a posse da bola.

O Corinthians de Arthur Elias chega ao tricampeonato brasileiro em mais uma bela página escrita na história do futebol feminino. O trabalho iniciado há cinco anos segue dando frutos e a equipe segue quebrando recordes. O Palmeiras também merece os nossos aplausos pela campanha e pela trajetória. O projeto e a equipe ainda são bastante novos e ainda precisam de tempo para amadurecer e dar o salto final, o passe seguinte para se consolidar definitivamente como grande potência da modalidade aqui por essas bandas. E também não é exagero nenhum afirmar que esses dois Derby’s vão ser lembrados por muito tempo. Não somente pelo (ótimo) futebol apresentando em campo, mas por toda a cobertura e pelo interesse despertado num momento em que o futebol masculino passa por uma espécie de “crise de identidade”. De fato, o caminho ainda é longo e muita coisa ainda precisa mudar em termos de estrutura e competições. Mas fato é que essa decisão do Brasileirão Feminino teve um altíssimo nível.

Mas a grande verdade é que eu e você só vamos ter uma mínima noção da importância do Corinthians de Arthur Elias na história do futebol feminino daqui a alguns anos. Serão tempos em que faremos comparações com outras equipes históricas e nos lembraremos de nomes como Gabi Zanotti, Erika, Adriana, Ingryd, Gabi Portilho, Vic Albuquerque e várias outras. Enquanto esse dia não chega, não nos resta nada a fazer senão desfrutar do belíssimo futebol que essas mulheres nos oferecem todos os dias.

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