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ABC atropela o Caxias, garante vaga na Série C de 2022 e mostra que a melhor defesa continua sendo o ataque

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a partida deste domingo (17) e as escolhas de Moacir Júnior e Rafael Jacques no Frasqueirão

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Andrei Torres / ABC Futebol Clube

“A melhor defesa é o ataque”. Você já deve ter ouvido essa frase várias e várias vezes ao longo dos últimos anos quando o assunto é o velho e rude esporte bretão. Atacar seu adversário, criar espaços e atalhos para se chegar ao gol é o que move cada equipe em todos os lugares do mundo. E como dizia Sepp Herberger (técnico da Alemanha Ocidental campeã mundial em 1954), “futebol é um jogo de imposição de estilos”. Foi exatamente o que vimos neste domingo (17) com a ótima atuação coletiva do ABC sobre um Caxias muito mais desorganizado do que o normal. A vitória por 3 a 0 do escrete comandado por Moacir Júnior nos apresentou um time que procurou o ataque durante toda a partida no Frasqueirão. Nem mesmo quando o escrete potiguar abriu dois gols de vantagem no placar. Muita intensidade nas trocas de passe, organização e coordenação nos movimentos ofensivos e muita força pelo lado direito com as descidas de Netinho e Negueba. O ABC teve uma atuação à altura da sua história.

É interessante notar que a frase do título parecia fazer parte da estratégia de Moacir Júnior desde o início do jogo no Frasqueirão. Isso porque o Caxias entrou em campo com o volante Erick posicionado como um terceiro zagueiro no 5-2-3/5-4-1 de Rafael Jacques para liberar Lucas Carvalho e Bruno Ré para o ataque. O ABC, no entanto, não se intimidou com o forte bloqueio defensivo do seu adversário e buscou abrir a última linha do escrete grená com muita movimentação no terço final e forçando bem o jogo pelo lado direito. O 4-2-3-1/4-4-2 tinha profundidade com Gustavo Henrique empurrando a defesa para trás e ainda ganhava criatividade com Wallyson se somando a Allan Dias na criação das jogadas e abrindo o corredor para as descidas de Felipinho. É verdade que o time comandado por Moacir Júnior sofreu com os contra-ataques do Caxias e viu Kelvin e Matheuzinho desperdiçarem boas chances. Mesmo assim, o ABC era mais agressivo, mais insinuante e mais presente no campo de ataque.

Rafael Jacques mandou o Caxias a campo armado num 5-2-3/5-4-1 com Erick jogando posicionado na última linha para liberar Lucas Carvalho e Bruno Ré para chegar no ataque. O ABC, por sua vez, ocupava bem o campo ofensivo, era mais agressivo e se movimentava bastante no terço final para abrir a defesa adversária. Foto: Reprodução / TV Brasil

A impressão que ficava era a de que faltava capricho e refinamento no último passe e nas finalizações na direção do gol do ótimo Marcelo Pitol. Ao mesmo tempo, estava mais do que evidente que a estratégia adotada pelo Caxias era a de se fechar na defesa, atrair o ABC para seu campo e acionar Matheuzinho, Kelvin e Michel nos contra-ataques em alta velocidade. Após o intervalo, no entanto, o escrete comandado por Moacir Júnior viria com ainda mais vontade de “impor seu estilo” como bem diria Sepp Herberger. Logo aos quatro minutos do segundo tempo, Netinho fez bela jogada pela direita e cruzou para a área. Felipinho chutou de primeira e a bola desviou em Gustavo Henrique e em Thiago Sales antes de entrar. E vale destacar nesse lance um detalhe importante. O ABC chegava no terço final com seis jogadores. O volume de jogo do Elefante impressionava até mesmo para os padrões de uma das edições mais disputadas da Série D. Gol que teve a marca de Moacir Júnior e de um time organizada e intensa.

O lance do primeiro gol do ABC é um bom exemplo do volume de jogo que a equipe de Moacir Júnior colocava nas suas ações ofensivas. Os laterais Netinho e Felipinho chegavam no ataque ao mesmo tempo e quatro jogadores esperavam o cruzamento dentro da área do Caxias. Intensidade e agressividade nos movimentos ofensivos. Foto: Reprodução / TV Brasil

Quando todos esperavam que o ABC fosse recuar com a vantagem no placar, viram uma equipe que continuou atacando e impondo seu estilo sem descuidar da defesa e da movimentação dos jogadores do Caxias. Wallyson marcou o segundo do Elefante numa belíssima jogada individual aos 25 minutos da segunda etapa em lance semelhante. Muita gente atacando ao mesmo tempo com organização e sincronia nos movimentos. A equipe de Rafael Jacques (que desfez a linha de cinco na defesa depois do primeiro gol adversário) ainda tentou descontar com duas finalizações de Michel bem defendidas por Wellington, mas o domínio territorial ainda era do escrete comandado por Moacir Júnior. E o dia era, de fato, do ABC. A facilidade com que Netinho se impunha fisicamente pra cima de Bruno Ré impressionava. O lateral-direito do Elefante venceu praticamente todos os duelos que teve pela frente no seu setor e se transformou num dos principais nomes da classificação para as semifinais da Série D sem qualquer sombra de dúvida.

O ABC não parou de atacar nem mesmo quando abriu uma boa vantagem no placar com os gols de Thiago Sales (contra) e Wallyson. O time de Moacir Júnior seguia empurrando o Caxias para trás, se impondo fisicamente e encontrando muita facilidade para avançar pelo lado direito com as boas descidas de Netinho e Negueba pelo setor. Foto: Reprodução / TV Brasil

O gol de Negueba aos 50 minutos selou a classificação para as semifinais da Série D e garantia a vaga na Série C de 2022. A maneira como o ABC se comportou na partida deste domingo (17) nos apresentou uma equipe organizada, intensa e muito ofensiva, daquelas que sabem exatamente o que deve ser feito para anular os pontos fortes do seu adversário. É preciso dizer também que Moacir Júnior foi muito feliz na escolha dos jogadores e da estratégia para encarar o bem organizado Caxias de Rafael Jacques. Muita presença no campo de ataque para não permitir que Karl e Marlon fizessem a bola chegar no trio de ataque e muita pressão na saída de bola para conter os avanços de Lucas Carvalho e Bruno Ré. Ao mesmo tempo, vale destacar também as atuações dos volantes Felipe Manoel e Marcos Antônio na proteção da defesa e nas chegadas ao ataque vindo por dentro sempre com bastante intensidade. Não é exagero nenhum afirmar que o ABC teve uma atuação coletiva de manual diante da sua fanática torcida.

“A melhor defesa é o ataque”. Essa frase resume bem a atuação do escrete de Moacir Júnior na tarde/noite deste domingo (17). O Elefante foi quase perfeito diante de um Caxias qualificado e bem montado, soube impor seu estilo de jogo e se adaptar ao contexto da partida, isto é, usar tudo aquilo que o cenário encontrado no Frasqueirão trouxe ao seu favor. Principalmente o apoio da fanática torcida que finalmente pôde vibrar com o acesso do ABC para a Série C depois de um longo e tenebroso inverno.

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