Adepto do estilo irreverente de comunicação, Alê Oliveira ganhou notoriedade na televisão pelo seu comportamento descontraído e fora dos padrões formais. Porém, a conduta, com o passar do tempo, ganhou críticos, já que havia o entendimento que o comentarista, em algumas ocasiões, passava do ponto. Neste cenário, ele defendeu sua postura e lamentou que o espaço no principal veículo de comunicação do Brasil esteja sendo tomado por comentários políticos e “lacração”.
Sem papas na língua, Alê Oliveira apontou que não se pode criticar comunicadoras mulheres sem haver acusações de machismo. Neste cenário, o comentário sobre Endrick voltar para a sub-20, que foi feito por Ana Thaís Matos, serviu de exemplo. Em sua visão, caso ele tivesse feito a análise em questão, o “tribunal” da internet seria mais rígido sobre a percepção envolvendo o atacante do Palmeiras.
“O que aconteceu hoje é que você pode falar que um narrador é ruim, mas não se pode falar que uma narradora é ruim. Já muda completamente. Na (época da) TNT, acentuou que você não pode falar nada da profissional feminina que não for elogio. O que você acha daquela apresentadora? Nada. Se eu não falar que ela não é boa como a Renata (Fan) é, eu não posso falar da repórter, comentarista… eu não vou consumir se eu não gostar. Pode ser homem, mulher, planta, árvore… eu vejo com tristeza porque vejo um empobrecimento. Uma mistura danada de comentário com política e lacração. Umas doideiras que eu fui mandado embora por tão menos. Já ouvi desde que se você não assistir futebol feminino você é gay, já ouvi que o Endrick tem que voltar pro sub-20. Se eu falar umas coisas dessas, eu não era cancelado, eu seria assassinado. Se tiver só mulher, só gay, só negro, só gordo, só magro… se tiver só bom, tá ótimo. Não é isso que eu observo“, desabafou Alê Oliveira ao podcast “Bora Pra Resenha”.
Mesmo com várias brincadeiras, Alê Oliveira destacou que jamais foi obsceno na TV. Desligado da Band Minas, o comentarista acredita que seu personagem não é mais viável para as empresas da área. Sendo assim, o programa Cancelados, no YouTube, foi exaltado pela liberdade fornecida aos componentes da atração.
“Eu nunca falei um palavrão. O que eu faço é duplo sentido, brincadeira, deixar subentendido… eu tenho saída pra tudo. Eu acho que não está valendo a pena ter um personagem como eu na TV aberta. Graças a Deus o mundo real não é feito dessas pessoas. O mundo real é feito da gente que vai no boteco, joga bola, pega ônibus, vai no jogo… O Cancelados tem dois patrocinadores porque sabem que o público de verdade, não os doentes da lacração, estão com a gente. Por isso o caminho ficou mais viável”, afirmou.

