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Internacional mostra boas ideias contra a La U, mas peca pela falta de intensidade no ataque; entenda

Equipe de Eduardo Coudet não conseguiu transformar superioridade em gols; Universidad de Chile tem Montillo (aquele mesmo) expulso e goleiro De Paul como grande destaque da partida em Santiago

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

O torcedor do Internacional que acompanhou o empate sem gols contra a Universidad de Chile ficou com a impressão de que o time comandado por Eduardo Coudet poderia ter sido mais feliz na sua estreia na Copa Libertadores da América. Não somente pelo domínio territorial e pelas chances perdidas (principalmente com Edenílson e Paolo Guerrero), mas por ter jogado um bom tempo com um atleta a mais por um bom tempo. Não é difícil concluir que faltou aos jogadores do Internacional um pouco mais de intensidade para furar a marcação da Universidad de Chile e para aproveitar a superioridade numérica depois que Montillo (aquele mesmo) foi expulso na metade da segunda etapa. Já falamos aqui mesmo neste espaço que o jogo de Coudet precisa de muita velocidade e intensidade para dar certo. E esses foram os pontos onde o Inter mais falhou nessa estreia na Libertadores. Ficam as (muitas) lições para o jogo de volta em Porto Alegre, no Beira-Rio.

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Eduardo Coudet mandou o Internacional a campo armado no 4-1-3-2 já conhecido e já dissecado por muitos. O que surpreendeu foi a entrada de Rodrigo Lindoso junto a Musto, Edenílson e Patrick no meio-campo. No papel, quatro volantes. Na prática, no entanto, as coisas funcionavam bem diferente. Musto recuava entre os volantes para armar o jogo e organizar a saída de bola, Lindoso se apresentava pelo meio para dar sequência às jogadas com Patrick e Edenílson se comportando muito mais como meias do que como volantes. Os dois trabalhavam a bola mais por dentro e encostavam mais em Guerrero e D’Alessandro na variação natural para um 4-4-2 mais ortodoxo. O grande problema bem estava na execução dos movimentos pedidos por Eduardo Coudet, e sim na intensidade das transições e nas conclusões a gol. Edenílson e Patrick foram importantes para desarrumar a defesa adversária, mas pecaram demais no último passe e nas conclusões a gol. O camisa 8, inclusive, perdeu duas grandes oportunidades de abrir o placar.

Edenílson e Patrick seguem como os “motores” do Internacional e ganharam nova função com Eduardo Coudet. Os dois encostam no ataque vindo mais por dentro para controlar a posse de bola na base da força física. Faltou mais intensidade nas transições. Foto: Reprodução / FOX Sports

As linhas avançadas do Internacional abriram espaços que a Universidade de Chile (comandada por Hernán Caputto) não soube aproveitar. Nem mesmo com os já conhecidos problemas de Rodinei na recomposição. O escrete colorado atacava em bloco e recuava com Rodrigo Lindoso se alinhando a Musto e com Patrick e Edenílson recuando pelos lados para fechar as subidas dos laterais. No entanto, os dois tinham liberdade para subir ao ataque e se apresentar como opção de passe e/ou lançamento. Não foram poucas as vezes em que os camisas 8 e 14 do Inter apareceram mais avançados que Guerrero (impecável no trabalho de pivô mais uma vez) e D’Alessandro (outro que se desdobrou dentro de campo na distribuição do jogo). A expulsão de Montillo permitiu que os espaços aparecessem na defesa da La U (armada inicialmente num 4-2-3-1 e reorganizada num 4-4-1 no final da partida), mas o Internacional seguia pecando pela falta de intensidade, justamente um dos pontos fortes das equipes de Eduardo Coudet. O resultado foi um empate que não agradou ninguém.

Patrick e Edenílson recuavam pelos lados e Lindoso se alinhava a Musto na variação do 4-1-3-2 para um 4-4-2 quando o Internacional era atacado. A falta de intensidade nas transições foi um dos problemas mais facilmente percebidos dentro de campo. Foto: Reprodução / Fox Sports

É bem verdade que o trabalho de Eduardo Coudet ainda está no início e que o time do Internacional mostrou boas ideias nesse empate sem gols com a Universidad de Chile. Controlou bem a posse de bola e o jogo com os meias mais próximos de Guerrero e D’Alessandro pode fluir mais nos próximos jogos. O grande problema, no entanto, está justamente na falta de tempo. O Inter poderia ter vencido o jogo dentro da casa da La U sem muitos sustos, mas falhou nos pontos já citados aqui. A ideia de jogo que está sendo implementada já é bem clara. Falta somente a intensidade necessária para que que as estratégias de Coudet deem o resultado esperado. Sobre o esquema com “quatro volantes”, vale lembrar que cada um deles teve uma função diferente e nem por isso a equipe colorada deixou de atacar apesar da já citada falta de intensidade. No entanto, diante do resultado final, a primeira coisa a ser vista é o fato de quatro volantes de origem terem começado jogando.

Eduardo Coudet pode manter o time que vem jogando (até para dar mais entrosamento e ritmo) ou fazer modificações pontuais no Internacional. Certo é que as suas ideias já começam a ser vistas dentro de campo. Resta é saber se o torcedor colorado vai ter paciência se os resultados esperados não vierem. Ficam as lições para o jogo da volta.

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