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Volante do Palmeiras luta por igualdade no futebol feminino e pede olhar especial para a base

Maressa valoriza também as mulheres que buscaram espaço no esporte

Papo de Mina
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Crédito: Maressa / Instagram

Por Tayna Fiori, colaboradora em São Paulo

O trabalho de Maressa Luara, volante do Palmeiras, vai muito além de treinar e conquistar a torcida alviverde. A atleta, de 23 anos, reconhece a importância de se posicionar em busca de igualdade e valorização para o futebol feminino, principalmente para as novas gerações. 

“Mesmo com altos índices de audiência televisiva e com cada vez mais o torcedor comparecendo aos estádios, nós ainda precisamos mostrar o nosso valor para grandes marcas olharem para nós com outros olhos”, reforça, em entrevista exclusiva ao Papo de Mina

Segundo ela, são poucas as atletas que possuem patrocínio de material de trabalho, por exemplo. O discurso está na ponta da língua: “a luta é por condições dignas de trabalho, por igualdade de tratamento de gênero, mas principalmente é por um futuro no qual as meninas e mulheres possam fazer suas escolhas, sem medo de discriminação ou repressão”.

Esse engajamento levou Maressa, na estreia do Campeonato Brasileiro, contra o Corinthians, personalizar a chuteira que entrou em campo. “O que me motivou a escrever ‘nós somos o futuro’ foi olhar para trás, olhar para a história do futebol feminino, ver o quanto outras meninas e mulheres lutaram por anos para normalizar a categoria, para ter melhores condições de trabalho, mais visibilidade”, esclarece.

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Por muitos anos nós vivemos na invisibilidade. Gerações anteriores à minha passaram por proibições da prática do esporte, enfrentaram péssimas condições de trabalho durante anos, lutando por um sonho que muitos diziam ser utópico. Felizmente, isso está mudando… Ano passado tivemos picos de audiência em transmissões do Campeonato Brasileiro A1 pela tv. Além disso, vimos um estádio lotado para uma final de Campeonato Paulista. E o melhor de tudo, é ver que a nossa presença dentro dos estádios e campos vem se normalizando. A caminhada ainda é longa, mas assim como gerações passadas, estamos lutando por um único objetivo: um futuro onde meninas façam suas escolhas, sem medo de serem reprimidas ou discriminadas. E domingo tem o primeiro derbi paulista em competições nacionais. E aí, vamos escrever essa história juntos? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ #nóssomosofuturo #derbidasminas #classico #avantipalestrinas ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 📹 @manifesto.global @fabiomendestx @luanpalmieri 👨‍🎨 @_cityart_ ✍ @rebecareisfoto VOCÊS FORAM F@#%

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“Hoje, usufruímos de muitas coisas por conta da insistência e persistência de mulheres que enfrentaram a proibição de praticar o esporte. Nós temos que valorizar elas, acredito que a melhor maneira de agradecer por tudo o que fizeram é mostrando cada vez mais o nosso valor. Naquela época, elas eram o futuro, hoje, nós somos”, pontua a atleta.

O valor do futebol de base

Uma pesquisa do IBGE mostrou dados que reforçam a falta de incentivo ao esporte feminino. Entre meninos, o índice para iniciar alguma prática esportiva entre 6 e 10 anos é de 41%; já para as meninas, cai para menos de 30%.

São números como este que sustentam ainda mais o relato de Maressa. “Eu fui entrar em uma escolinha aos 12 anos, antes disso eu jogava na rua e na escola, com 12 anos um menino já estava no sub-13 de alguma escolinha, e se tiver potencial, nessa categoria em algum clube. Precisamos ter mais cuidado na formação dessas meninas, até porque, elas serão o nosso futuro, né?”, questiona.

Com a bandeira da luta pela igualdade e pelo respeito ao futebol feminino, Maressa finaliza: 

“meu maior sonho é ver meninas iniciando no futebol mais novas, para poderem ter uma formação completa como atleta”.

A carreira de Maressa

A jogadora fez toda sua base no Centro Olímpico, de 2012 à 2016, e conquistou, no seu último ano pelo time, o primeiro título do Campeonato Brasileiro Sub-20. Na sequência se transferiu para o Foz Cataratas, quando viveu o momento mais difícil na carreira.

“É bom ter novas ótima oportunidades em outros clubes. Porém, todo mundo sabe que a hora de ficar longe de casa uma hora chega, principalmente para atleta, mas quando isso tem que acontecer o coração aperta e fica minúsculo. Fui morar em alojamento, longe da minha família, que sempre esteve ao meu lado me apoiando em tudo na minha carreira. Você se sente tão vulnerável, sem aquele conforto da família nos momentos difíceis”, relembra.

Nos anos seguintes, a atleta passou pelo Avaí/Kindermann, Ponte Preta e Audax – para atuar na Libertadores em 2018. Em 2019, depois do time alviverde restaurar o elenco feminino, Maressa foi contratada para atuar pelo Palmeiras.

“Tenho muito orgulho da minha história no futebol até aqui. Ainda sou jovem (23 anos), mas já me considero uma jogadora experiente. Passei por clubes que tem tradição no futebol feminino, disputei grandes campeonatos e joguei com grandes jogadoras”, destaca.

Abraçada pela torcida do Palmeiras, a jogadora ressalta a responsabilidade por representar pessoas que se deslocam até Vinhedo, cerca de 80km, para incentivar o time feminino. 

“Diariamente eu recebo muitas mensagens de apoio, de pessoas que admiram o futebol feminino e que torcem por mim. Me sinto na obrigação de responder dentro de campo, de ser exemplo como atleta e como ser humano. É isso que me motiva a ser melhor a cada dia que passa. Quero retribuir tudo isso que os palmeirenses vem me proporcionando, prometo trazer muitas alegrias a todos!”, diz.

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