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Renato Gaúcho aplica mais um nó tático em Fernando Diniz e coloca o Grêmio na sua nona final de Copa do Brasil

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como o Tricolor Gaúcho travou o São Paulo e não sofreu gols nas semifinais

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Este colunista fez questão de destacar o “dedo” de Renato Gaúcho (para o bem e para o mal) na vitória por 1 a 0 do Grêmio sobre o São Paulo na semana passada. No entanto, eu e você vimos nesta quarta-feira (31) que o treinador do Grêmio conhece seu elenco como poucos e que soube muito bem como travar seu adversário. O empate sem gols no Morumbi foi suficiente para garantir o Tricolor Gaúcho na sua nona final de Copa do Brasil e deixou clara a dificuldade que a equipe comandada por Fernando Diniz teve para criar jogadas de ataque e tentar ameaçar o gol de Vanderlei. Não é exagero dizer que Renato deu um nó tático no treinador do Tricolor Paulista montando seu Grêmio de modo a travar as principais saídas do São Paulo e cadenciar o jogo no meio-campo. Classificação de um time extremamente copeiro e decisivo. Destaque para as grandes atuações de Lucas Silva, Rodrigues e Kannemann.

É interessante notar que Renato Gaúcho apostou na mesma estratégia da partida disputada na Arena do Grêmio: linhas fechadas e compactadas, muita intensidade na marcação e velocidade nas transições para o ataque. A diferença é que sua equipe tinha a vantagem do empate dessa vez. Com isso, o Tricolor Gaúcho travava o jogo no meio-campo e “cozinhava” a partida. O São Paulo, por sua vez, se organizava em algo mais próximo de um 4-2-3-1 com Tchê Tchê no lugar de Luciano (vetado por problemas físicos), tinha a posse da bola, mas não sabia o que fazer para furar o eficiente bloqueio defensivo do seu adversário. Mesmo com os problemas do Grêmio para fechar o lado esquerdo (onde Pepê contribuía pouco na marcação e sobrecarregava Matheus Henrique e Diogo Barbosa na perseguição a Gabriel Sara e Juanfran), o Tricolor Paulista não foi efetivo e esbarrou numa verdadeira muralha azul e preta.

Sao Paulo vs Gremio - Football tactics and formations

Renato Gaúcho fechou o Grêmio com duas linhas na frente da sua área e ainda posicionava Jean Pyerre e Diego Souza na intermediária de olho em Daniel Alves e Luan. O São Paulo não conseguia chegar na área adversária e nem ameaçar o gol de Vanderlei. Nem mesmo com os problemas de marcação do lado esquerdo do Tricolor Gaúcho.

Impossível não notar que Luciano fazia muita falta ao São Paulo justamente por ser justamente o elo de ligação entre o meio-campo e o promissor atacante Brenner (que pouco apareceu na partida). Tchê Tchê tentou circular pelo campo, abrir espaços, mas foi outro que pouco acrescentou na produção ofensiva do time comandado por Fernando Diniz. Do outro lado, Renato Gaúcho seguia com sua estratégia e via sua equipe criar boas chances com Diego Souza, Pepê e Victor Ferraz. O Grêmio era intenso na marcação e sabia os momentos certos de cadenciar e desacelerar o ritmo da partida no meio-campo. E conforme o tempo ia passando, ficava mais e mais claro que o Tricolor Paulista só conseguiria furar o eficiente bloqueio defensivo do seu adversário se mudasse completamente de postura. Gabriel Sara e Igor Gomes eram muito bem vigiados e não conseguiam fazer a bola chegar inteira no ataque.

Fernando Diniz só mexeu na sua equipe aos 20 minutos do segundo tempo com as entradas de Vítor Bueno e Toró no lugar de Luan e Léo respectivamente. Renato Gaúcho (que já havia lançado Thaciano no lugar de um exausto Alisson) fechou ainda mais o Grêmio no seu campo e foi explorando o claro nervosismo dos jogadores do São Paulo. É preciso deixar claro que o Tricolor Paulista não teve uma grande chance em toda a partida e que poderia jogar até o dia 1º de janeiro de 2021 que não conseguiria furar a defesa gremista. Não do jeito que estava tentando. Não com o excesso de cruzamentos para a área. Não com a baixa velocidade na circulação da bola para abrir espaços. E nem mesmo com um time mais estático e que se movimentou pouco na intermediária. Renato só foi fechando o Grêmio na mesma medida em que Fernando Diniz empilhava atacantes num São Paulo desorganizado e afobado.

Gremio vs Sao Paulo - Football tactics and formations

Fernando Diniz foi empilhando atacantes, tentou colocar mais velocidade pelos lados do campo com Paulinho Bóia e Toró e abusou dos cruzamentos para a área buscando Brenner e Tréllez sem nenhum sucesso. O Grêmio se fechou na frente da sua área, deu a bola para o São Paulo e simplesmente não sofreu grandes pressões do seu adversário.

Por mais que se perca no personagem em determinados momentos e que solte algumas “pérolas” desnecessárias de vez em quando, é preciso reconhecer que Renato Gaúcho conhece muito bem seu elenco e que vem fazendo um belíssimo trabalho à frente do Grêmio. Seu trabalho é de uma regularidade incrível. Entra ano e sai ano, o Tricolor Gaúcho está sempre chegando longe nas principais competições da temporada e levantando taças. Mais uma final de Copa do Brasil para o currículo com um time sólido e que “cozinha” o jogo quando necessário para acelerar pelos lados do campo com Pepê buscando um Diego Souza cada vez mais decisivo no ataque. É um modelo diferente dos anos de 2016 e 2017, mas é igualmente eficiente por conta das características dos seus jogadores. Por mais que abra mão da posse da bola, o Grêmio de Renato Gaúcho sabe exatamente o que fazer com ela. Constância.

Palmeiras e Grêmio chegam na decisão da Copa do Brasil com moral e com trabalhos bem sólidos dos seus treinadores. Impossível apontar um favorito num confronto de muita história e de muita competitividade. Exatamente como nos dois jogos históricos da Copa Libertadores da América de 1995. E assim como Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Silva fizeram há 25 anos, Abel Ferreira e Renato Gaúcho serão os protagonistas de um duelo tático de proporções épicas.

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