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Palmeiras joga no fio da navalha, é salvo pelo VAR e se garante na sua quinta final de Copa Libertadores da América

Luiz Ferreira analisa a atuação dos comandados de Abel Ferreira na derrota para o River Plate de Marcelo Gallardo na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: César Greco / SE Palmeiras

Este que escreve havia dito que Abel Ferreira havia colocado Marcelo Gallardo no bolso após a vitória por 3 a 0 do Palmeiras sobre o River Plate na última semana. Eu, você e toda a torcida alviverde esperava uma classificação sem sustos. Só que o que vimos na noite desta terça-feira (12) no Allianz Parque foi exatamente o contrário. A maneira como “Muñeco” Gallardo anulou as saídas do Verdão foi simplesmente impressionante. E isso usando a mesma linha de cinco na defesa para ganhar as “primeiras bolas” e acelerar nos contra-ataques diante de um adversário que não conseguia sair do seu campo. O VAR (que anulou um gol de Montiel e um pênalti em cima de Matías Suárez) acabou sendo determinante nos 2 a 0 do jogo da volta. O Palmeiras pode e deve comemorar a (sofrida) classificação para a final da Libertadores. Mas Abel Ferreira e toda equipe precisam entender onde erraram.

A grande sacada de Marcelo Gallardo foi a escalação de Paulo Díaz no lugar do suspenso Jorge Carrascal. Jogando num 3-1-4-2, os Millonarios avançaram as suas linhas, protegeram melhor a tão criticada defesa e não deram paz ao Palmeiras (que entrou em campo no mesmo 3-4-2-1 do jogo disputado na Argentina). Com os alas Montiel (o melhor em campo na opinião deste que escreve) e Angileri em cima de Gabriel Menino e Viña e com a movimentação constante de “Nacho” Fernández e De la Cruz marcando e se movimentando demais na intermediária ofensiva. Com isso, Danilo, Zé Rafael e companhia não conseguiam prender a bola e (muito menos) ter paz para fazer o passe longo buscando a velocidade de Rony e o pivô de Luiz Adriano. O River Plate mantinha a bola a todo momento no ataque e partia forte em busca dos gols que precisava para se classificar para a decisão da Copa Libertadores da América.

River Plate vs Palmeiras - Football tactics and formations

Marcelo Gallardo mandou o River Plate a campo num 3-1-4-2 para frear as saídas do Palmeiras e acelerar o jogo a partir da retomada da posse da bola na intermediária. Do outro lado, Abel Ferreira repetiu a formação do jogo de ida e não conseguiu vencer essa forte pressão do seu adversário dentro do Allianz Parque.

A estratégia de Gallardo era clara: ganhar as “primeiras bolas” pelo alto (nas ligações diretas buscando Luiz Adriano e Rony) e ficar com a “segunda bola” na intermediária e acelerar a partir daí. Nesse ponto, o trabalho de Danilo e Zé Rafael era importantíssimo. O problema é que os dois ficaram sobrecarregados, já que Gustavo Scarpa e Rony pouco auxiliavam na marcação a “Nacho” Fernández, De La Cruz, Montiel e Angileri. Mesmo irregular na partida, o River Plate cresceu demais depois que Rojas abriu o placar aos 29 minutos do primeiro tempo e ganharam ainda mais força depois que Borré fez o segundo aos 44 minutos. Com Marcos Rocha errando demais no posicionamento defensivo e com o fator mental influenciando demais na atuação dos jogadores, o Palmeiras foi empurrado para trás e não teve forças para encaixar contra-ataques mesmo com muito espaço para tal. O River dominava.

De acordo com o SofaScore, o River Plate finalizou 23 vezes a gol contra apenas seis do Palmeiras (sendo que nenhuma delas foi na direção do gol de Armani). E a segunda etapa mostraria um domínio ainda maior dos Millonarios com cinco bons ataques e um gol anulado (corretamente) pelo VAR antes dos quinze minutos. Ainda houve tempo para que o árbitro de vídeo anulasse (corretamente) um pênalti em cima de Matías Suárez que não existiu. No entanto, mesmo com a expulsão de Rojas (aos 28 minutos), os comandados de Abel Ferreira seguiam completamente atônitos diante de tamanho volume de jogo e de tanta intensidade em todas as transições. O treinador português, aliás, errou a mão nas mexidas e viu sua equipe sentir demais a saída de Gustavo Gómez ainda nos primeiros 45 minutos por contusão. Parecia até que quem jogava com um a mais era o River de Marcelo Gallardo. Sem exageros.

Jogadores e comissão técnica do Palmeiras podem e devem comemorar a classificação para a quinta final de Libertadores da história do clube. Mas também precisam corrigir os erros cometidos na partida desta terça-feira (12). A equipe não conseguia manter a posse da bola e nem trocar três passes seguidos no meio-campo. Faltou intensidade para atacar e defender e mais atenção no posicionamento defensivo. Principalmente no lado direito (onde Gabriel Menino teve que correr por ele e por Marcos Rocha) e na proteção da zaga (onde Danilo sentiu o peso da partida). Por outro lado (e apesar de todos os erros que poderiam ter custado a classificação), o Palmeiras teve méritos nos 180 minutos das semifinais para eliminar aquela que é uma das equipes mais regulares do continente há anos. E o que teve de gente falando em “fim de ciclo” de Marcelo Gallardo nos últimos dias foi uma festa…

“O Gallardo é melhor treinador do que eu e os jogadores deles são mais experientes do que os nossos. Mas a única maneira de ganhar experiência é assim: vivendo e passando por situações como essa de hoje”. As palavras de Abel Ferreira na entrevista coletiva após o jogo desta terça-feira (12) resumem bem o tamanho desse River Plate dos últimos sete anos. A maneira como o escrete de Buenos aires anulou o Palmeiras foi simplesmente impressionante. Ainda mais quando a atuação da equipe paulista no jogo da última semana ainda está fresca na memória. Os Millonarios tiveram repertório de jogadas, boas ideias, uma intensidade absurda e uma boa pitada de mobilização colocada pelo seu treinador. Marcelo Gallardo se transformou num treinador de nível europeu. Seu lugar é na Liga dos Campeões. E isso só aumenta o tamanho do feito do Palmeiras. Ainda mais com os 3 a 0 na Argentina.

Abel Ferreira pode e deve tirar lições da derrota desta terça-feira (12). O Palmeiras esteve muito abaixo do que pode fazer em campo e do que já mostrou em outras oportunidades. E não é nenhum exagero afirmar que a equipe pode ser derrotada por Santos ou Boca Juniors se repetir a atuação do jogo da volta contra o River Plate. O VAR evitou uma eliminação injusta, é verdade. Mas é preciso aprender com os erros.

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