Acabar com as chances de título do São Paulo foi o único alento do Palmeiras no Morumbi

Luiz Ferreira analisa a atuação dos comandados de Abel Ferreira no empate contra o Tricolor Paulista nesta sexta-feira (19)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Não é exagero nenhum afirmar que a melhor parte do Choque Rei desta sexta-feira (19) foi o apito final no Morumbi. São Paulo e Palmeiras realizaram uma partida muito pobre em todos os sentidos em jogo atrasado da 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Faltou criatividade, faltou concentração e faltou (principalmente) bom futebol. O empate em 1 a 1 também tirou todas as chances de título do Tricolor Paulista (que chegou a liderar a competição com uma bela vantagem com relação às demais equipes). Aliás, esse foi o único alento do escrete comandado por Abel Ferreira. A equipe não faz um bom jogo desde a vitória por 3 a 0 sobre o River Plate no jogo de ida das semifinais da Libertadores no início desse ano. O Palmeiras sofre com a falta de ideias e abusa do pragmatismo em determinados momentos. Há como se fazer mais do que simplesmente fazer ligações diretas para Luiz Adriano e Rony no ataque.

Já se sabia que São Paulo e Palmeiras entrariam em campo com o que tinham de melhor à disposição dos seus treinadores. Enquanto o interino Marcos Vizolli (sob os olhares de Hernán Crespo nos camarotes do Morumbi) mantinha a estrutura básica do 4-4-2 utilizado por Fernando Diniz, Abel Ferreira apostava em algo mais próximo de um 4-2-3-1 (variando para um 4-1-4-1 conforme os avanços de Patrick de Paula ao ataque). Apesar dos bons nomes em campo, o jogo acabou ficando truncado demais no meio-campo e marcado por lances ríspidos. O São Paulo mantinha mais a posse da bola e tentava chegar ao ataque com passes mais curtos buscando Luciano e Pablo (que substituiu Gonzalo Carneiro no início da partida), mas sem muito sucesso. Já o Palmeiras utilizava mais os passes em profundidade para Viña, Luiz Adriano e Rony no último terço. O jogo acabou ficando bem feio com a falta de criatividade das duas equipes.

É verdade que Abel Ferreira e companhia têm razão em reclamar de uma penalidade em cima de Luiz Adriano totalmente ignorada por Leandro Vuaden no primeiro tempo. Mas o treinador português também está coberto de razão quando afirmou (em entrevista coletiva após a partida) que sua equipe joga muito abaixo do que pode e que o calendário insano do nosso futebol é um dos nossos principais problemas. Mesmo concordando com ele (inclusive na parte em se desculpou pelo comportamento à beira do gramado) e tendo completa noção de que a cobrança intensa por resultados num cenário completamente atípico (jogos sem público, pandemia de COVID-19 e por aí vai) é altamente prejudicial a todos, não há como fechar os olhos para a queda de rendimento de um Palmeiras que nos brindou com um futebol bastante eficiente no final de 2020 e início de 2021. Ainda mais com um banco de reservas tão qualificado.

A partida teve uma leve melhora no segundo tempo, já que o São Paulo precisava da vitória para se manter vivo na disputa pelo título brasileiro. Marcos Vizolli acertou em cheio com a entrada de Toró no lugar de Igor Gomes e viu sua equipe abrir o placar com Luciano convertendo penalidade confirmada pelo VAR. Só que o grande erro do treinador interino foi recuar demais a equipe depois do gol. Abel Ferreira demorou para mexer no Palmeiras, é verdade. Mas as entradas de Breno Lopes, Lucas Lima e Gustavo Scarpa melhoraram demais o desempenho da equipe alviverde (ainda que concedesse espaços demais na frente da defesa). Sem velocidade e sem intensidade para aproveitar essa desorganização do seu adversário, o São Paulo acabou levando o empate num chute de Rony que desviou em Luan e enganou Tiago Volpi. Isso aos 47 minutos do segundo tempo de um jogo feio e com pouquíssimos atrativos.

Também não é exagero afirmar que um dos poucos alentos do Palmeiras na partida desta sexta-feira (19) foi ter acabado com qualquer chance de título de um dos seus grandes rivais. O escrete comandado por Abel Ferreira (mesmo levando-se em consideração todo o contexto de jogos seguidos e pouco tempo para descanso) caiu demais de produção nessas últimas semanas. A decisão da Libertadores contra o Santos já nos mostrava uma equipe mais hesitante na hora de atacar e que apostava num estilo mais pragmático e as partidas da equipe no Mundial de Clubes da FIFA apenas confirmaram essa tendência mais pragmática. Talvez para “guardar” fôlego e amenizar um pouco o cansaço de um elenco que mal chegou do Catar e emendou três partidas do Campeonato Brasileiro em seis dias. E isso sem mencionar o departamento médico cheio e o desgaste emocional de uma série de decisões disputadas em pouquíssimo tempo.

Abel Ferreira deve usar as partidas contra o Atlético-GO e o Atlético-MG para poupar alguns jogadores e pensar a estratégia para as finais da Copa do Brasil contra o Grêmio. E tendo em vista que os comandados de Renato Gaúcho estão mais “descansados” e que o time também tem predileção pelo contra-ataque, não é difícil imaginar dois confrontos extremamente pegados e disputados no meio-campo.

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