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Organização e intensidade do Atlético de Madrid escancaram problemas coletivos do Barcelona; entenda

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa o duelo tático protagonizado por Diego Simeone e Ronald Koeman na reta final do Campeonato Espanhol

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Atlético de Madrid

Mais do que desperdiçar mais uma chance de chegar à liderança do Campeonato Espanhol, o empate sem gols contra o aplicado Atlético de Madrid de Diego Simeone mostrou que o Barcelona de Ronald Koeman sofre contra equipes mais organizadas e mais intensas. O escrete catalão conquistou apenas um ponto nas quatro partidas contra os colchoneros e o Real Madrid nas quatro partidas disputadas nessa temporada em La Liga. Esse é o pior desempenho da equipe contra os dois clubes da capital espanhola desde a edição de 1964/65, quando o Barcelona foi derrotado nos quatro jogos. Isso explica muita coisa sobre a maneira como Ronald Koeman pensa sua equipe e como ele tenta encaixar Messi, Griezmann, Busquets, Deste, Pedri e Frenkie de Jong num 3-1-4-2 que mais enfraquece o sistema defensivo do que reforça o ataque blaugrana. A atuação contra o Atlético de Madrid chega a ser emblemática.

O confronto entre o melhor ataque e a melhor defesa do Campeonato Espanhol acabou ficando marcado pela forte marcação no meio-campo e pelas poucas chances de gol criadas pelas duas equipes. Diego Simeone manteve a linha de cinco na defesa do Atlético de Madrid com Carrasco (um dos melhores em campo junto com os goleiros Oblak e Ter Stegen) voltando pela esquerda e tirando o campo de ação de Messi. A entrada de Saúl Ñíguez no lugar de Lemar ainda no primeiro tempo mostrou que o treinador colchonero tinha a clara intenção de congestionar o meio-campo para recuperar a bola e acelerar nos contra-ataques contra a desorganizada defesa do Barcelona. Tanto que Ter Stegen fez três grandes defesas em chutes de Carrasco, Llorente e Luis Suárez. Mingueza sofreu na cobertura, Pedri e Frenkie de Jong acabaram sacrificados pelo 3-1-4-2 de Koeman e o jogo blaugrana não fluiu como o esperado.

Este que escreve fez um pequeno fio no Twitter com algumas impressões sobre o aproveitamento dos jovens Pedri e Frenkie de Jong por Ronald Koeman. Difícil não chegar à conclusão de que o treinador holandês é um dos principais responsáveis pela queda de rendimento dos dois jovens valores do escrete catalão. O Barcelona já apresentava problemas com Busquets na frente do trio de zagueiros. A saída do camisa 5 fez com que De Jong fosse recuado e Pedri permanecesse jogando num setor onde já se sabe que ele não rende. E Diego Simeone foi inteligente ao congestionar o espaço na frente da área do Atlético de Madrid com Koke, Llorente e Saúl Ñíguez (depois Kondogbia). O escrete blaugrana não tinha mobilidade e sobrecarregava Messi na criação das jogadas. Por mais que o camisa 10 seja um dos melhores de todos os tempos, a verdade é que ele acaba sendo um dos mais prejudicados pela maneira como Koeman arma a equipe blaugrana.

O segundo tempo foi praticamente uma repetição dos primeiros 45 minutos. O Barcelona seguia com enormes dificuldades para chegar no ataque e ainda sofria muito com os contra-ataques de um aplicado Atlético de Madrid. Por mais que Diego Simeone mereça as críticas pelo excesso de pragmatismo em determinados momentos, a verdade é que a maneira como os jogadores executam seu plano de jogo é louvável. Ainda mais quando Koeman desarrumou ainda mais o escrete catalão com as entradas de Dembelé como ala pela direita, Ronald Araujo (que entrou bem no jogo) como um “falso lateral” no mesmo lado e Sergi Roberto vindo mais por dentro. Messi continuou sobrecarregado na criação e Griezmann praticamente sumiu do jogo. Não é exagero nenhum afirmar que o Atlético de Madrid poderia ter saído do Camp Nou com os três pontos se fosse apenas um pouquinho mais ousado nas jogadas de ataque. O empate sem gols acabou sendo o resultado mais justo.

É preciso enxergar nesses últimos jogos do Barcelona na temporada uma certa teimosia de Ronald Koeman. A começar pelo desenho tático escolhido pelo holandês assim que Piqué voltou ao time depois de se recuperar de lesão. Não é preciso ser nenhum gênio para concluir que Frenkie de Jong rendia muito mais como terceiro zagueiro e que Pedri se mostrava muito mais à vontade jogando ao lado de Busquets no meio-campo. A equipe blaugrana tinha mais consistência e Messi crescia de produção com a mobilidade do 3-4-1-2 utilizado por Koeman. Ao mesmo tempo, fica complicado entender e explicar por que Pjanic e Riqui Puig (jogadores que se adaptariam muito melhor aos conceitos do treinador holandês) são pouco utilizados na equipe. Ainda que Pedri e Frenkie de Jong tenham muita qualidade com e sem a bola. O que se vê ainda é um Barcelona lento, sem inspiração e completamente dependente de Messi.

Barcelona e Atlético de Madrid poderiam ter feito muito mais nessa temporada, mas acabaram sucumbindo por escolhas no mínimo questionáveis dos seus treinadores. Enquanto Koeman não consegue fazer sua equipe jogar com um mínimo de consistência, Simeone peca pelo excesso de pragmatismo. E quem ri por último nessa história é o Real Madrid de Zinedine Zidane (outro que vem sendo bastante questionado). Essa reta final da La Liga 2020/21 promete grandes surpresas.

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