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Seleção Olímpica volta a oscilar, mas retoma o controle e supera a Arábia Saudita na base do volume de jogo

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação da equipe comandada por André Jardine e os próximos desafios nos Jogos Olímpicos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Não foi uma grande atuação. Bem longe disso, aliás. A Seleção Olímpica novamente sofreu com a falta de objetividade e regularidade e também com as já comentadas fragilidade nas bolas aéreas e lentidão na recomposição defensiva diante da bem organizada equipe da Arábia Saudita na manhã desta quinta-feira (28), em Saitama. Mesmo assim, o escrete comandado por André Jardine conseguiu controlar o jogo no segundo tempo e confirmou a vitória por 3 a 1 e a primeira posição do seu grupo nos Jogos Olímpicos. Destaque para mais uma ótima atuação de Richarlison (autor de dois gols), Matheus Cunha, Bruno Guimarães (um dos melhores em campo junto com o “Pombo” na humilde opinião deste que escreve), Claudinho, Daniel Alves, Malcom e Reinier. Esses dois últimos, inclusive, foram fundamentais para dar mais volume de jogo, profundidade e mais fluidez ao ataque brasileiro na etapa final e confirmar a vitória em cima dos sauditas.

Mas é preciso dizer que há padrões de jogo bem claros na Seleção Olímpica e os jogadores comandados por André Jardine parecem se sentir mais à vontade no 4-4-2 utilizado nos jogos contra a Alemanha e a Costa do Marfim. A estratégia do comandante do escrete canarinho (que jogou com a sua belíssima camisa azul) consiste na valorização da posse da bola com aproximação dos setores e muita movimentação para abrir as defesas adversárias. Contra a Arábia Saudita, no entanto, o que se via era uma certa dificuldade para encontrar espaços na linha de cinco defensores montada por Saad Al Shehri. Apesar da saída apoiada com Matheus Henrique aparecendo entre os zagueiros e Claudinho se juntando a Bruno Guimarães quase como mais um volante, o primeiro gol da Seleção Olímpica só saiu em jogada de bola parada, com Matheus Cunha completando escanteio cobrado da esquerda para as redes de Al Bukhari.

Matheus Henrique aparece entre os zagueiros Diego Carlos e Nino para dar opção de passe na saída de bola e Claudinho se aproxima de Bruno Guimarães para liberar o corredor para Guilherme Arana. Do outro lado, Daniel Alves se comporta quase como mais um meia de criação. Foto: Reprodução / TV Globo

As falhas defensivas voltaram a aparecer no gol de Al Amri (marcado após cobrança de falta da direita) pouco tempo depois da Seleção Olímpica ter aberto o placar em Saitama. Fora isso, algumas recomposições não eram realizadas da maneira correta, sempre com a equipe abrindo espaços nas laterais e permitindo os cruzamentos para a área buscando o atacante Al Hamddan. O panorama começou a mudar a partir das entradas de Malcom e Reinier no segundo tempo. O primeiro deu mais dinâmica ao ataque brasileiro e o segundo chegava com mais frequência na área saudita do que Claudinho. O volume de jogo da equipe comandada por André Jardine melhorou consideravelmente com o atacante do Zenit procurando os espaços vazios na zaga adversária. O futebol da Seleção Olímpica cresceu e jogadores como Bruno Guimarães e Richarlison puderam assumir o protagonismo que tanto se espera deles em Tóquio.

A entrada de Malcom melhorou a dinâmica do ataque da Seleção Olímpica e fez com que a equipe comandada por André Jardine retomasse o controle da partida. O padrão de jogo e a inversão do 4-4-2 para o 3-2-5/2-3-5 também voltou com um Daniel Alves mais presente no campo ofensivo. Foto: Reprodução / TV Globo

Com muito mais movimentação e ocupação dos espaços no campo ofensivo, a Seleção Olímpica foi controlando o jogo e conseguiu os gols que fecharam a vitória em cima da Arábia Saudita no segundo tempo. Richarlison marcou aos 30 minutos (após assistência de Bruno Guimarães) e aos 47 (em bela jogada trabalhada pela direita com Malcom e Reinier). Mesmo assim, é possível dizer que a equipe de André Jardine já jogava melhor do que os sauditas há bastante tempo. Faltava capricho no último passe e mais calma para encontrar os espaços. Gabriel Menino, Abner Vinícius e Gabriel Martinelli também entraram em campo e mantiveram o nível do desempenho do escrete canarinho, com boas trocas de passe e muita movimentação para bagunças a linha de cinco do time de Saad Al Shehri. O Brasil podia não dar espetáculo. Mas entregava uma atuação muito mais segura no segundo tempo do que na vitória sobre a Alemanha.

Gabriel Menino, Abner Vinícius e Gabriel Martinelli no final da partida e ajudaram a manter o ritmo do jogo brasileiro em Saitama. A Seleção Olímpica cresceu com as boas trocas de passe e se movimentando bastante para bagunçar a linha de cinco defensores da Arábia Saudita. Foto: Reprodução / TV Globo

Quem acompanha a coluna aqui no TORCEDORES.COM já sabe que a Seleção Olímpica apresenta um padrão de jogo muito bem definido por André Jardine. Guilherme Arana abre pela esquerda como um ponta e aproveita o corredor aberto por Claudinho. No outro lado, Daniel Alves é o “lateral-armador” da equipe brasileira enquanto Antony é o ponta que corta para dentro para aproveitar o chute de esquerda. Por dentro, Matheus Cunha e Richarlison se movimentavam demais na frente da zaga adversária para abrir espaços e buscar a profundidade. Mais atrás, Bruno Guimarães se comporta como o grande maestro da Seleção Olímpica com ótima visão de jogo e muita dinâmica para desafogar o time. Nino e Diego Carlos sabem sair pelo chão (apesar dos problemas nas bolas aéreas) e se posicionam bem na saída de bola. E o goleiro Santos parece ter se recuperado da falha contra a Alemanha e vem passando mais segurança debaixo das traves.

Mas também precisamos falar de Malcom, atacante de qualidade que consegue dar mais profundidade ao ataque brasileiro pela direita do que Antony. E ainda há Reinier, jogador que sempre se movimenta na direção do gol e que se encaixou muito bem na Seleção Olímpica no segundo tempo. Fato é que todas as peças do elenco brasileiro serão ainda mais úteis na fase de mata-mata do torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos. O adversário do próximo sábado (31) será o Egito. Adversário (em tese) mais tranquilo do que a Costa do Marfim, mas que chega nas quartas de final com muita moral depois de segurar a Espanha e eliminar a Austrália na última rodada da fase de grupos. Se a equipe comandada por André Jardine (mesmo sabendo que é muito difícil entregar um futebol vistoso no contexto dos Jogos Olímpicos) mantiver o nível das atuações e a concentração, pode se garantir nas semifinais sem sustos.

O sonho do bicampeonato olímpico vai ficando mais e mais próximo. E André Jardine sabe que seu time vai entrar numa competição totalmente diferente a partir do sábado (31). Qualquer erro, qualquer oscilação e qualquer desatenção poderá ser severamente punida. É corrigir os erros defensivos, dar mais confiança a Matheus Cunha e Richarlison no ataque e manter a consistência das últimas partidas. A Seleção Olímpica é uma equipe muito forte e já provou que é candidata à medalha de ouro. Agora é colocar tudo isso em prática.

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