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Nova goleada do Flamengo sobre o Olimpia tem a marca inconfundível do seu trio ofensivo

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação do time de Renato Gaúcho em mais uma vitória incontestável na Copa Libertadores da América

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Alexandre Vidal / Flamengo

Bruno Henrique, Gabigol e Arrascaeta já se transformaram em “patrimônio histórico” do Flamengo por tudo que fizeram ao longo dessas últimas três temporadas. E a nova goleada sobre o Olimpia que garantiu o time de Renato Gaúcho nas semifinais da Copa Libertadores da América teve a participação direta dos três. Passes precisos, assistências, muita inteligência com e sem a bola e mais de 200 gols marcados pelos três desde o ano de 2019. É bem verdade que o jogo desta quarta-feira (18) nos mostrou um Flamengo mais relaxado por conta da vantagem obtida no jogo disputado em Assunção, mas também teve a marca de um time ofensivo, absurdamente letal nos contra-ataques e que vem se adaptando aos conceitos trabalhados por Renato Gaúcho ao longo dessas últimas semanas. A equipe rubro-negra mostrou mais uma vez a sua força e chega com moral nas semifinais da Libertadores pela quinta vez na sua história. Não é pouca coisa.

É bastante comum ver atacantes cumprindo o papel de “arco” (o jogador que prepara o passe) e outros fazendo o papel de “flecha” (aquele que ataca o espaço aberto na defesa). No Flamengo de Renato Gaúcho, todos são arcos e todos são flechas. É possível ver Arrascaeta tirando coelhos da cartola e deixando seus companheiros na cara do gol com um ou dois toques. Ou Gabigol saindo do comando de ataque e vindo receber esses mesmos passes pelos lados do campo. Ou ainda ver Bruno Henrique saindo em diagonal para finalizar com autêntico centroavante. Mas também é possível ver os três citados aqui trocando de posição e função dependendo das circunstâncias. O primeiro gol da goleada sobre o Olimpia exemplifica muito bem esse quadro descrito anteriormente. Rodinei parte pela direita, vê BH27 abrindo o campo, Gabigol dando profundidade e Arrascaeta aparecendo no espaço aberto pelo camisa 9.

Rodinei recebe com liberdade pela direita e prepara o cruzamento que vai resultar no primeiro gol do Flamengo contra o Olimpia. Bruno Henrique abre o campo, Gabigol dá profundidade e Arrascaeta ataca o espaço aberto na área. Sincronismo e organização. Foto: Reprodução / YouTube / Conmebol Libertadores

Não era necessário fazer muita coisa para bagunçar a defesa de um Olimpia ainda atordoado e meio sem rumo desde a semana passada. Não que os comandados de Enrique Landaida tenham assustado o time de Renato Gaúcho. O que impressionava era a maneira como o Rey de Copas se comportou nos dois jogos das quartas de final da Libertadores. Difícil entender como o Internacional acabou sendo eliminado por essa equipe. Mas o que era difícil de verdade era acompanhar o trio ofensivo do Flamengo. Mesmo sem forçar muito, o volume de jogo imposto pelo escrete rubro-negro era impressionante. E o nível do futebol apresentado em campo pode aumentar ainda mais com as chegadas de Kenedy (já anunciado oficialmente nas redes sociais do clube da Gávea), Andreas Pereira e Thiago Mendes. A tendência é vermos um Flamengo mais envolvente e Renato Gaúcho com mais alternativas para turbinar seu 4-2-3-1 costumeiro.

Dentro desse contexto, fica fácil entender porque o Flamengo teve tanta facilidade para bagunçar as linhas do seu adversário no jogo desta quarta-feira (18). Por mais que o Olimpia tentasse qualquer coisa, a sensação de todos na Arena Mané Garrincha (incluindo a dos torcedores que aglomeraram sem um mínimo de proteção) era a de que os gols não demorariam para sair. E nesse ponto, é preciso destacar a inteligência de Arrascaeta em cada lance. O uruguaio já sabe o que fazer com a bola antes mesmo dela chegar aos seus pés. O lance do segundo gol mostra muito bem a essa capacidade do camisa 14 em encontrar seus companheiros de equipe no espaço de um lenço. Ele recebe de Everton Ribeiro e faz o cruzamento de primeira para Bruno Henrique que aproveitava muito bem o espaço às costas da zaga do Olimpia. O adversário podia não ser o mais forte. Mas o Fla fazia por merecer cada gol marcado.

Everton Ribeiro passa para Ararscaeta que já havia percebido a movimentação de Bruno Henrique às costas da zaga do Olimpia e faz o cruzamento para a área. Mais atrás, Gabigol e Diego Ribas se aproximam da área para pegar o rebote ou impedir o contra-ataque adversário. Foto: Reprodução / YouTube / Conmebol Libertadores

O Olimpia ainda esboçou uma reação (se é que podemos chamar assim) com Recalde diminuindo o placar com um belo gol no final da primeira etapa. Mas a partida era toda do trio ofensivo do Flamengo. Bruno Henrique, Arrascaeta e Gabigol repetiam a dinâmica dos primeiros 45 minutos com muita movimentação, inteligência para abrir espaços na defesa adversária e muita precisão nos passes na intermediária. E isso tudo sem exercer a forte marcação na saída de bola adversária já mencionada e analisada aqui mesmo neste espaço. Estava mais do que claro que Renato Gaúcho queria que seus jogadores tivessem espaço para avançar e construir mais uma vitória. E com todos no elenco comprando e executando bem as suas ideias, as coisas ficam muito mais fáceis para o treinador. Ainda que Pedro e Vitinho ainda estejam muito hesitantes e abaixo do nível de rotação atingido por todos na equipe do Flamengo.

É verdade que nem tudo são flores apesar da goleada e da boa atuação. O meio-campo do Flamengo ainda abre espaços generosos na frente da defesa que poderiam ter sido muito melhor aproveitados por equipes mais organizadas e qualificadas. E é aí que mora o perigo. A classificação para as semifinais de uma Copa Libertadores da América traz consigo um aumento vertiginoso no nível de exigência técnica, tática e mental das últimas três partidas antes da conquista da “Glória Eterna”. Renato Gaúcho tem sido muito feliz na recuperação de jogadores como Léo Pereira (mais uma boa atuação como zagueiro construtor), Michael, Willian Arão (de volta à “volância” em grande estilo) e Rodinei. Mas o destaque da nova goleada sobre o Olipia foi, sem qualquer sombra de dúvida, a performance do trio ofensivo formado por Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol. Decisivos, goleadores e muito talentosos.

Difícil não ver nos três os pilares centrais do esquema de jogo do Flamengo de Renato Gaúcho. Este que escreve só vê o Atlético-MG (com Hulk, Nacho Fernández e agora Diego Costa) e o Palmeiras (com Dudu, Raphael Veiga e Rony) no mesmo nível do escrete rubro-negro. Não é por acaso que as três equipes já se garantiram nas semifinais da Copa Libertadores da América e (de quebra) transformaram a competição numa espécie de Copa do Brasil. E com todos os méritos possíveis.

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