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“Saí queimado do Grêmio, mas dei minha cara pra bater”, relembra ex-volante que mais atuou em ano da queda

Leanderson foi o jogador do Grêmio com mais jogos na temporada de 2004, ano da segunda queda do clube

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Reprodução/YouTube

De zagueiro, lateral, meia, atacante… ao olhar para trás e relembrar o triste ano de 2004, o ex-volante Leanderson perde até as contas de tantas posições que jogou e topou atuar com o único objetivo de ajudar o Grêmio. Enquanto ele se propunha a “dar a cara para bater” na campanha do segundo rebaixamento do clube, ele olhava para o lado e via – principalmente dos jogadores que chegavam de fora – um certo “corpo mole” para não querer se envolver na fase ruim do clube.

Todo esse esforço também teve um preço para o jogador, que é gaúcho de Porto Alegre, gremista e cria da base do clube. Leanderson, ao autor da matéria, conta ter sido o atleta com mais jogos na temporada de 2004 e que quis, em 2005, disputar uma posição apenas como volante, sem mais improvisos. O pedido à comissão técnica não foi muito bem recebido, e ele foi encarado como atleta “ruim de grupo”. Foi afastado, passou a treinar em separado e aceitou ir em definitivo para o Sport, decisão da qual se arrepende até hoje.

“Pegando as estatísticas, eu fui o jogador que mais joguei pelo Grêmio em 2004. Eu estava sempre disponível e disposto como falei anteriormente. E acabei me queimando. Porque, naquele ano, só não joguei de goleiro e de centroavante. De resto, pela lembrança que tenho, joguei em todas as posições. Quarto zagueiro, lateral-direito, esquerdo, meia, volante, claro… e fiquei muito exposto. Fiz isso porque eu era um torcedor dentro de campo. Via que as coisas estavam ruins e queria ajudar. Enquanto eu via também muitos outros fazendo corpo mole, não querendo estar em campo pela pressão. Aí chegou 2005 e eu pedi para jogar só de volante, independente de ser titular ou não, mas que eu pudesse brigar por uma posição apenas de volante. E tive problemas em relação a isso na pré-temporada, porque queriam me colocar de lateral e eu não aceitei”, relembrou o jogador, antes de falar do arrependimento:

“O Grêmio foi a minha vida. Sempre me arrependerei (ida para o Sport em 2005). O Grêmio me ensinou a ser homem, me criou. Se eu tivesse ido emprestado e voltado, o Grêmio, em uma situação melhor, poderia ter frutos comigo. Como aconteceu em 2002 logo quando eu subi e depois em 2003, acabando o ano, recebi muitas propostas. Até a metade de 2004 em relação particular a mim, Leanderson, estava muito bom sobre procuras e interesse de outros clubes. Do Brasil e de fora. Acabou que o Grêmio, na época, não quis me liberar dizendo que eu não era moeda de troca. Culminou com o fim de ano ruim do clube e a minha situação terminou dessa maneira. Acho que Deus sabe de todas as coisas, o caminho foi trilhado e sou muito grato pelos 12 anos que vivi no Grêmio”.

Leanderson sofre com momento atual do Grêmio

Embora a época seja bastante diferente no que diz respeito à qualidade dos jogadores e estrutura do clube, a atual temporada de 2021 lembra a de 2004 em alguns aspectos. Além do risco presente de queda, com o time neste momento estando em 19° lugar, há também a questão de quatro treinadores diferentes ao longo do ano. Uma marca não bem vista pelo ex-volante:

“Essas trocas de treinadores são sempre erradas. Mas sei que no cenário brasileiro isso acaba até sendo normal. É complicado. Quando você tem quatro treinadores diferentes é porque as coisas não estão andando dentro do campo. Com certeza, creio que isso parte também de um comando de direção nessa troca repentina. Aquele cara que deu certo de treinador, o clube deve buscar algum outro com características parecidas com ele para que as coisas sigam andando. Perfil parecido. Quando não acontece, e você pega um comandante aleatoriamente, acaba sendo difícil o entendimento dos atletas”, ampliou, antes de reforçar o seu “gremismo”:

“O sentimento (atual) é ruim, cara. Ainda mais eu, que fui criado dentro do Grêmio. Passei 12 anos da minha vida lá dentro. De criança a adolescente e depois também na fase adulta. Então pra mim é sempre complicado ver o time nessa situação. Passei por isso. Tive a infelicidade de ser rebaixado com o Grêmio e sei o peso que é isso. Ainda mais sendo de Porto Alegre e com familiares gremistas. Mas creio que o Grêmio ainda tem chances de sair dessa, e eu estou na torcida para que isso aconteça. Não estou lá dentro para saber o que está acontecendo, mas como torcedor eu espero que tudo dê certo”.

Sempre com a torcida de Leanderson, o Grêmio poderá deixar a zona do rebaixamento em caso de vitória nesta segunda-feira, 20h, diante do Atlético-GO.

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