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Como ‘mentalidade de videogame’ mudou a importância da 4ª descida na NFL

Desde 2017, as equipes da NFL vem revolucionando a maneira de se encarar situações de ‘tudo ou nada’ dentro das partidas

Álvaro Logullo Neto
24 anos, formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e, desde 2021, redator de esportes no Torcedores.com. Por aqui, um pouco de tudo: tênis, basquete, NFL, Fórmula 1, esportes olímpicos e Fiorentina... digo, futebol!

Crédito: Divulgação / Instagram: @nfl

A Liga de Futebol Americano dos Estados Unidos (NFL) vive uma revolução dentro dos campos. Isso porque, desde 2017, os números de tentativas de conversão em 4ª descida vem aumentando de maneira exponencial. No jogo de futebol americano, a 4ª descida representa a ‘última chance’ de uma equipe avançar um número específico de jardas sem perder a posse de bola. Normalmente, nessas situações, os times optam por um chute de devolução para o oponente (punt) ou um field goal, que vale três pontos. Tais decisões, teoricamente, são mais seguras.

No entanto, há quatro temporadas, invariavelmente, os técnicos estão sendo cada vez mais ousados. Mais arrojados. Ou seja, estão arriscando mais em situações de 4ª descida, mesmo com a possibilidade de perder a posse de bola na jogada seguinte. E o que explica isso? A EdjSports, uma empresa de estatísticas e simulações — e que é parceira da NFL —, traz dados muito interessantes na tentativa de encontrar uma resposta para esse fenômeno.

Mentalidade de videogame na NFL?

No videogame, quando não se há muito a perder, é costume dos jogadores fazerem jogadas ‘arriscadas’. O conservadorismo fica de lado, principalmente entre os mais jovens. Caso você não jogue, pergunte a alguém que goste de simuladores de futebol americano: diante de uma 4ª descida para 1 jarda, ele devolve a bola ou arrisca? A não ser em situações específicas, o ‘normal’ no mundo virtual é arriscar. Não há, evidentemente, tanta pressão, tampouco é preciso lidar com as consequências do erro como numa partida real.

Entretanto, a NFL vem incorporando cada vez mais essa ‘mentalidade de videogame’. E isso não é um ‘surto de coragem’ dos técnicos, mas, sim, algo embasado em números. Cálculos da EdjSports demonstram que optar pela tentativa em 4ª descida é, estatisticamente, mais vantajoso. Cada situação é analisada individualmente. Contudo, no geral, a probabilidade de vitória é MAIOR caso uma equipe tente essa jogada de ‘tudo ou nada’.

Um exemplo prático ocorreu no último Monday Night Football. Na partida entre Giants e Buccaneers, a equipe de Nova Iorque teve uma 4ª para 1 jarda no território ofensivo. Ao invés de chutar um field goal e diminuir o placar para 17 a 13, os Giants tentaram converter a 4ª descida. Naquele momento, de acordo com a EdjSports, a decisão foi CORRETA, pois aumentou em 2% as chances de vitória de NY. Ou seja, era mais sensato buscar aquela jarda — e depois o touchdown — do que marcar três pontos e devolver a bola aos Buccaneers. Os Giants, porém, não converteram a jogada e acabaram perdendo a posse, ainda com 17 a 10 no placar.

Embora, tenha Nova Iorque tenha fracassado, a matemática foi a favor da tentativa. E essa vem sendo uma tendência seguida por muitos técnicos ao longo das últimas temporadas. Muitos deles, aliás, vem tendo sucesso.

Aumento nas tentativas de 4ª descida a cada ano

Desde 2018, o número de tentativas em 4ª descida só aumentam. Em 2017, após nove semanas da temporada regular, haviam sido realizadas 224 tentativas de 4ª descida. Desde então, este número passou para 266, em 2018, 281, em 2019, e 334, em 2020. Neste ano de 2021 foram 388 tentativas nas primeiras nove semanas. Um aumento, portanto, de 73% desde 2017. É o maior número bruto já visto na NFL. As tentativas das equipes nos próprios campos de defesa também revelam aumento: mais que o dobro da temporada passada após nove semanas (30 a 13)

A EdjSports entende que este fenômeno é, também, fruto de uma ‘mentalidade de rebanho’. Em 2017, Doug Peterson, treinador dos Eagles impressionou com um estilo agressivo em 4ª descida. Isso foi algo fundamental para que Philadelphia vencesse o Super Bowl naquele ano. Depois, John Harbaugh, à frente dos Ravens, soube se utilizar da mobilidade de Lamar Jackson para inovar neste quesito do jogo também.

Daí em diante, muitos treinadores passaram a prestar mais atenção na ‘matemática’ da 4ª descida. Contudo, ainda há quem seja um pouco ‘resistente’ a esta mentalidade. É o caso de treinadores mais veteranos. Bill Belichick, treinador dos Patriots, arriscou apenas 6 tentativas de 4ª descida, até aqui, na temporada (em 10 jogos). Ele é que menos tentou essa jogada. Ao seu lado, Pete Caroll, dos Seahawks, outro treinador mais tradicionalista. Quem lidera a lista é o Washington Football Team e os Lions, com 23 tentativas cada.

Ainda há ‘preconceito’ 

Apesar do aumento de tentativas de 4ª descida nos últimos anos, a empresa de estatísticas acredita que tal aspecto do jogo ainda tem margem para evolução. Uma vez que treinadores mais conservadores deixarem de lado o ‘preconceito’ pelos números, os resultados serão ainda melhores, segundo a EdjSports. Tais estatísticas, aliás, já apontam para uma melhora. Em 2018, ‘decisões ruins’ em 4ª descida foram responsáveis por 66% das derrotas das equipes. Este número caiu para 60% nesta temporada, o que demonstra que os técnicos estão sendo mais inteligentes em momentos de 4ª descida. É preciso saber a hora de arriscar ou de devolver a bola para o adversário.

E é justamente com isso que a EdjSports trabalha. A empresa tem um algorítmo para determinar em que situações vale a pena buscar a conversão de 4ª descida. Tudo isso, embasado nas características dos times e contexto dos jogos. Neste quesito, quem se destaca é Brandon Staley, treinador dos Chargers. A equipe de LA impressionou numa improvável conversão de 4ª descida para 9 jardas, contra os Chiefs. Ela foi crucial para a vitória do time na semana 3. De acordo com os dados da EdjSports, Staley foi o que MELHOR optou por arriscar em 4ª descida nas primeiras nove semanas da NFL.

“Se eu achar que é uma situação de vantagem, do ponto de vista dos dados, da modelagem, do momento e do ritmo do jogo, então vamos [para a 4ª descida]”, disse Staley, que ainda completou: Temos feito um bom trabalho ao tomar decisões sensatas. Se você estudar os dados reais da tomada de decisão que tivemos, acho que ninguém diria que estamos apostando”. Enfim, Staley está em seu primeiro ano como head coach da NFL, mas já foi capaz de agregar com essa novo ‘dinâmica de videogame’ que vem tomando conta da Liga.

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