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Escola Paralímpica revela novos talentos

Escola Paralímpica surgiu em 2018

Carlos Lemes Jr
Colaborador do Torcedores.com.Jornalista formado, desde 2012, e no Torcedores, desde 2015. Matérias exclusivas pelo site publicadas nos portais IG, MSN e UOL.

Crédito: Alan Morici/Exemplus/CPB

Para manter o Brasil como uma potência no esporte paralímpico, o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) mostra que está preocupado com a base. Por isso, em 2018, surgiu a Escola Paralímpica.

O projeto tem como objetivo promover a iniciação esportiva a crianças com deficiência entre 10 a 17 anos. E a iniciativa, já começou a render frutos.

Foi o caso do jovem velocista João Santos, de 14 anos, estreante na competição e um dos destaques do atletismo. O paulistano, da classe T11 (para cegos), terminou os 100m em 12s40, o que seria o 24º melhor tempo do mundo na prova em 2021. Inclusive, João é o único atleta sub-15 que consta no top 25 mundial dos 100 m em sua classe.

“Estar aqui no Meeting, no meio de tantos atletas consagrados, é muito bom. Fiquei muito feliz com o meu tempo. Agora, é continuar treinando, progredir e participar de mais competições”, disse o jovem, que representa o clube Atletismo Brasil e também disputou os 200 m no Meeting de São Paulo.

João nasceu com glaucoma e foi perdendo a visão dos dois olhos aos poucos. Em 2019, ele foi aconselhado por uma fisioterapeuta que atuava no Instituto Dorina Nowill, em São Paulo, especializado em atendimentos para cegos, a procurar o CPB para iniciar uma prática esportiva. Foi então que ele entrou na Escola Paralímpica de Esportes do CPB e se apaixonou pelo atletismo.

“O esporte mudou a minha vida. Comecei a ficar mais regrado e passei a dormir mais cedo, por exemplo. Antes de começar no atletismo, as coisas estavam bem difíceis para mim. Agora, sou uma pessoa bem mais animada, além de ter feito novas amizades”, destacou o paulistano, que estará nas Paralimpíadas Escolares, evento a ser realizado pelo CPB de 23 a 26 de novembro também no CT Paralímpico. “Estou ansioso, pois deveria ter competido no ano passado, mas, infelizmente, por causa da pandemia de coronavírus, não houve competições”, completou João.

De acordo com o professor de atletismo da Escola Paralímpica de Esportes do CPB, Henrique Gavini de Freitas, João é um aluno muito aplicado e que pode conseguir excelentes resultados no futuro.

“É um menino muito esforçado, coordenado e inteligente. É fácil trabalhar com o João. Ele é maduro para a idade que tem. Tudo que a gente conversa, ele segue ao pé da letra. No entanto, ele só tem 14 anos. Mesmo com potencial, é difícil saber como vai ser a maturação biológica do João. Tenho a expectativa de que ele cresça mais alguns centímetros, o que poderá ajudá-lo na busca por marcas mais expressivas”, disse.

Na natação, os jovens formados pela Escola Paralímpica do CPB também se destacaram no evento no CT Paralímpico. O único nadador da classe S1 (para deficiências mais severas) nesta etapa do Meeting Paralímpico, Miguel Santos, de apenas 15 anos, participou de sua primeira competição oficial e completou a prova dos 50m livre em 01min45s98. Ele nadaria mais duas provas nesta sexta, os 50m borboleta e os 50m peito.

“É a minha primeira competição oficial, semana que vem tem mais. Participarei pela primeira vez também das Paralimpíadas Escolares”, previu.

Miguel, que tem má-formação congênita, teve seu primeiro contato com a piscina aos nove anos, na reabilitação. Em 2019, ele ingressou no projeto de iniciação esportiva no CT Paralímpico. Na próxima semana, ele participará das Paralimpíadas Escolares pela equipe do São Paulo.

O técnico-chefe da natação do CPB, Leonardo Tomasello, já mira nos jovens talentos para os Jogos Parapan-Americanos de Jovens, que estão marcados para o próximo ano, na Colômbia. “Em todas as etapas do Meeting, a gente está monitorando. No ano que vem tem Parapan de jovens, uma competição importante para nós. Como já havia bastante tempo que eles estavam sem competição, ficamos um bom tempo sem ter contato. Apareceram alguns jovens nesta etapa do Meeting, que vamos monitorar daqui para frente” conta Tomasello, referindo-se ao medalhista dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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