Allan Simon: Já passou da hora de acabar com a programação ao vivo nos canais de esportes

Decisão da ESPN cancelar programação ao vivo foi a mais acertada, pois prioridade agora deve ser conter o surto do novo coronavírus

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: StockSnap/Pixabay

A pandemia da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, não é brincadeira. Matou mais de 12 mil pessoas em todo o mundo, e os casos crescem dia após dia. Falando em esporte, o surto provocou a suspensão de praticamente todos os grandes eventos ao redor do planeta. A solução, enquanto não há vacina ou medicamento comprovado para minimizar os danos, se baseia apenas em higiene pessoal, isolamento e distanciamento social.

Sendo assim, não há qualquer razão que justifique a manutenção da programação ao vivo dos canais esportivos na TV paga brasileira. A ESPN deu um ótimo passo à frente nessa questão quando anunciou a suspensão de sua grade por tempo indeterminado, permitindo o trabalho remoto de seus funcionários e colocando o portal de internet como ferramenta de atualização das informações relacionadas ao mundo do esporte nestes tempos difíceis.

Cabe agora aos demais canais, como SporTV, Fox Sports e BandSports, repensar se a solução é apenas a diminuição do tempo de conteúdo ao vivo na programação diária. O telespectador de esportes, quando quiser ter informações importantes e relevantes sobre a covid-19, seus sintomas, formas de prevenção, etc, tem boas opções nos canais de notícias, como GloboNews, CNN Brasil, Record News e BandNews. Esses, sim, são fundamentais e não podem parar nestes tempos. Além disso, a Globo, maior emissora do Brasil, tem um programa diário nas manhãs só para falar de coronavírus.

Mais: o telespectador fanático por esporte vai sofrer muito mais pela falta de eventos esportivos, algo sobre o qual não temos o menor controle atualmente, do que por ficar sem mesas redondas que acabariam sem assunto só para “encher linguiça” na programação conforme o passar das semanas nesta quarentena forçada. É muito melhor ajudar as autoridades dispensando do trabalho in loco os funcionários e colocando no ar jogos antigos.

O BandSports, por exemplo, conta com todo o acervo esportivo da Band, um canal que fez história por transmitir momentos históricos do futebol nacional e de outras modalidades, como o vôlei, basquete, automobilismo, entre outros. A emissora já mostrou o Fla-Flu de 1995, e com certeza há muitos mais tesouros de onde esse jogo saiu nos arquivos para engordar uma programação especial.

O SporTV já vem exibindo VTs de jogos do passado, o que é muito legal. Se acabar com sua programação ao vivo, terá mais quatro horas para mostrar partidas ainda mais antigos, dos tempos em que o canal era operado apenas pela Globosat, e não pela TV Globo, com equipe própria que tinha Deva Pascovicci e Mário Sérgio como alguns de seus membros. Os dois morreram na tragédia da Chapecoense em 2016, ou seja, ainda por cima seria uma forma de homenagem.

O mesmo se aplica ao Fox Sports. Apesar de ter apenas oito anos no ar, o canal já conta com um acervo interessante de jogos da Libertadores e outras competições desde 2012. E também fez, à época de seu lançamento, narrações para partidas antigas da competição continental mais importante do futebol sul-americana para jogos anteriores ao surgimento da emissora no Brasil.

Quem é fã de esportes já está tendo que lidar com o medo de uma doença séria, de propagação rápida e que pode matar muitas pessoas. Ainda por cima ficou sem o seu entretenimento favorito na programação diária neste período. Não custa nada dar uma oportunidade única de reviver grandes histórias. O dia inteiro.

Allan Simon é jornalista esportivo desde 2011, tendo passado por redações como o R7, Abril.com, UOL Esporte e Torcedores. Participou das coberturas de duas Copas do Mundo, duas Olimpíadas, dois Pans, e diversos outros momentos históricos do esporte brasileiro nesta década. Criador do Prêmio Torcedores de Mídia Esportiva. Atualmente comanda o Blog do Allan Simon, é colaborador do UOL e colunista do Torcedores, tendo também um canal no YouTube com análises, histórias e estatísticas de mídia esportiva e futebol em geral.

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